Cartilha da CNBB orienta candidatos
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2002
Sandra Sato Agência Estado 
Brasília - Embora bispos e padres estejam proibidos de recomendar nomes aos fiéis para as eleições 2002, a Igreja estimulará a conscientização do eleitor e poderá até divulgar informações sobre candidatos, fora das missas. O voto não tem preço, mas tem consequência, adverte o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Raymundo Damasceno. A Igreja, que tradicionalmente tem assumido papel de oposição ao governo, não quer ser identificada com um partido ou um candidato específico. Mas quer influenciar na construção de programas de governo. Por isso, a partir da próxima semana começará a distribuir a cartilha Eleições 2002 propostas para reflexão a todos os congressistas, autoridades do Executivo e candidatos. O mesmo texto será traduzido em linguagem popular para ser distribuído pelo País afora a eleitores.
O documento, preparado pelo conselho permanente da entidade, já foi entregue ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que visitou a CNBB logo após a aprovação do texto, no final do ano passado. A cartilha traz críticas indiretas à política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso por estar mais voltada ao pagamento das dívidas em detrimento dos investimentos sociais.
Para a entidade, a fome continua sendo o maior flagelo em parte porque maus políticos a utilizam para se manter no poder. O documento ressalta ainda que pessoas em cargos públicos nem sempre exercem o mandato para benefício da comunidade, mas para o próprio bem ou de grupos. E conclui que a impunidade favorece a corrupção e a violência.
Segundo Dom Damasceno, a Igreja pretende orientar o eleitor a avaliar os programas e conhecer a vida passada dos candidatos para votar em quem realmente preste serviço à comunidade, seja honesto e tenha compromisso com causas populares e as pessoas mais excluídas. A Igreja também quer que o eleitor opte por candidatos adeptos do pluralismo religioso.


