Carter recebe dissidentes cubanos
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segunda-feira, 13 de maio de 2002
Agência EFE 
Havana O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter se reuniu ontem em Havana com dois representantes dos dissidentes cubanos e expressou seu apoio a uma eventual consulta popular para permitir mudanças na ilha, disseram fontes da oposição. Carter teve palavras de respeito, de admiração, por nossa vontade de trabalhar pacificamente, e apoiou esta disposição ao dialogo com as autoridades cubanas, disse Oswaldo Payá, do Movimento Cristão de Libertação (MCL). Elizardo Sánchez Santa Cruz, líder da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) afirmou que o mais impressionante é a boa vontade com a qual este homem veio a Cuba.
Os dois dissidentes se reuniram com o ex-governante norte-americano durante mais de uma hora no hotel da parte histórica de Havana no qual Carter está hospedado.
Foi uma reunião muito boa, um momento muito especial para nós. Dialogamos sobre vários assuntos e explicamos o Projeto Varela (de referendo), que ele já conhecia bem. Esta visita vai ser boa para o povo cubano nas perspectivas pacíficas e cívicas de sua luta. Agora se abrem novas esperanças, afirmou Payá.
O líder do MCL apresentou na sexta-feira passada ao Parlamento cubano um documento com 11.020 assinaturas pedindo uma anistia para presos políticos, liberdade de expressão e econômica, modificações na lei eleitoral e a convocação de um referendo.
A Constituição cubana de 1976 inclui esta possibilidade, se ela contar com o apoio e as assinaturas de mais de 10.000 cidadãos.
Segundo Payá, Carter é um homem de dialogo e este encontro é um sinal para a reconciliação e para que todos nós assumamos uma posição de ouvir o outro. Pedimos que o governo tenha a mesma atitude diante das pessoas que, como nós, pedem mudanças, disse.
Sánchez Santa Cruz disse que não fez nenhum pedido especial a Carter sobre a libertação de alguns dos mais de 200 presos políticos que há em Cuba.
É possível esperar que os dois governos aproveitem esta ocasião para tentar iniciar uma virada nas relações bilaterais, que não podem ser piores, acrescentou


