Cartaz de Lerner derruba sessão na AL
Leandro Donatti
O cartaz apreendido na semana passada pela Polícia Federal, estampando uma montagem do governador Jaime Lerner (PFL) com uma farda de coronel - numa alusão ao regime militar - esquentou os ânimos da base aliada ontem na Assembléia Legislativa. Para impedir um pronunciamento do deputado Ângelo Vanhoni (PT), em defesa dos argumentos do autor da polêmica peça publicatária, (a Fórum Terra, Trabalho e Cidadania), os deputados governistas esvaziaram o plenário e derrubaram a sessão. A manobra gerou confusão e troca de acusações.
Furando o cerco da PF, Vanhoni pregou um exemplar do cartaz contra Lerner na tribuna, onde pretendia fazer um acalorado discurso. A atitude do deputado irritou o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), que, em questão de minutos, arrebanhou os aliados para fora do plenário. Ele (Vanhoni) está faltando com o decoro parlamentar. Está querendo fazer um carnaval porque está com saudades da ditadura. Essa gente do PT é filhote da ditadura, atirou o líder.
Rossoni disse que estuda com sua equipe jurídica mecanismos para enquadrar o deputado do PT, impedindo-o de valer-se da imunidade parlamentar. Ele está desrespeitando a decisão da Justiça, argumentou.
Vanhoni não se intimidou com a reação dos governistas. Posou para fotos ao lado do cartaz e disse que de forma alguma o protesto do Fórum, integrado pela CUT, MST, APP-Sindicato e outras entidades, ofende a honra e a dignidade do governador. O que estão fazendo é censurar uma manifestação legítima, contrargumentou. Vanhoni disse que a bancada do governo não está compreendendo a crítica. A população tem o direito de saber destas medidas autoritárias que vêm sendo adotadas na questão agrária, emendou. O deputado promete pregar o cartaz novamente na semana que vem.
O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), não estava na Casa quando a confusão tomou conta do plenário. O segundo vice-presidente Caíto Quintana (PMDB) abriu a sessão, apesar de o primeiro vice, o governista Nelson Justus (PTB), estar presente. Khury disse à tarde que só se manifesta sobre a abertura de um processo por decoro contra Vanhoni se algum deputado protocolar reclamação.
Passada a tensão, a afixação do cartaz virou piada entre os próprios deputados. Depois dessa, o Lerner estréia o filme O Cerco na Lapa, brincou Caíto Quintana. Está bravo porque a farda é de coronel e não de general, alfinetou Vanhoni. Estão comentando a maior injustiça. Se o governador der uma ordem unida, não tem dois com o mesmo passo, contribuiu o governista Marcos Isfer (PFL). O Vanhoni conseguiu em dois minutos o que o pessoal vem tentando há dias, disse Algaci Túlio (PTB).
O governador Jaime Lerner (PFL) ficou sabendo da confusão por volta das 13 horas, quando retornou de Brasília, e não quis polemizar. Resumiu-se a criticar o cartaz e disse que não passa de difamação de movimentos que tentam desvirtuar o processo agrário. Mais que a montagem colocando-o de farda, Lerner sentiu-se lesado com as informações constantes na peça publicitária. Sem detalhar, o cartaz acusa o governo de ser responsável por seis torturas contra sem-terra, 15 assassinatos, três tentativas, 41 ameaças de morte, e 35 mil trabalhadores desempregados.Peça publicitária que traz o governador fardado foi pregada no plenário e manobra governista esvaziou reunião
Albari RosaO incompreendidoVanhoni fura o cerco da PF e afixa cartaz na Assembléia: Bancada do governo não está compreendendo a crítica





