Cartaz de Lalau, distribuído em várias cidades
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quinta-feira, 21 de setembro de 2000
Alexandre Rocha Agência Estado De São Paulo 
O vice-diretor do FBI, Thomas Pikard, disse ontem que a Polícia Federal norte-americana está empenhada nas investigações sobre o paradeiro do juiz foragido Nicolau dos Santos Neto, principal acusado do desvio de verbas da obra superfaturada do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) paulista. Esta investigação mostra para o mundo a importância da cooperação internacional em nossos tempos, disse Pikard, que participa do 1º Congresso Mundial do Ministério Público no Brasil.
Segundo Pikard, o FBI também vem dando treinamento e trocando informações com as autoridades brasileiras nas áreas de combate à corrupção pública, perícias técnicas e crimes eletrônicos. Ele acredita que o aperfeiçoamento de métodos de perícias técnicas podem auxiliar no combate ao crimes de colarinho branco, como o praticado por Nicolau, acusado de desviar R$ 169 milhões das verbas da União destinadas à construção do TRT.
Nos Estados Unidos, para processarmos alguém por corrupção precisamos de evidências materiais, como vídeos desta pessoa recebendo suborno, ou uma gravação grampeada autorizada por um juiz, afirma. A corrupção é o HIV que mata as democracias, as pessoas têm que ter fé em seus governos.
A limitação dos poderes do Ministério Público (MP) e o combate à corrupção são dois dos assuntos que estão sendo mais debatidos no 1º Congresso Nacional do Ministério Público. Na cerimônia de abertura do congresso, anteontem à noite, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, José Geraldo Brito Filomeno, disse que por causa da atuação dos procuradores no combate à corrupção querem transformar o MP em instrumento do poder político. Ele também atacou o projeto de reforma da parte geral do Código Penal apresentado pelo Ministério da Justiça, afirmando que a intenção do governo é reduzir gastos com o cárcere.
O ministro da Justiça, José Gregori, rebateu dizendo que o MP deve processar qualquer pessoa que tenha violado a lei, independente de sua posição. Ele afirmou também que as reformas na legislação pretendem dar aos operadores do direito melhores instrumentos para processar criminosos.
O presidente do congresso, promotor Edson Bonfim, disse que o Brasil tem que entrar no século 21 respeitando seus cidadãos pela sua história, não pelos títulos que ostentam, quanto mais alto o cargo do corrupto, maior deve ser a punição, disse, numa referência implícita ao juiz Nicolau.


