O vice-diretor do FBI, Thomas Pikard, disse ontem que a Polícia Federal norte-americana está empenhada nas investigações sobre o paradeiro do juiz foragido Nicolau dos Santos Neto, principal acusado do desvio de verbas da obra superfaturada do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) paulista. ‘‘Esta investigação mostra para o mundo a importância da cooperação internacional em nossos tempos’’, disse Pikard, que participa do 1º Congresso Mundial do Ministério Público no Brasil.
Segundo Pikard, o FBI também vem dando treinamento e trocando informações com as autoridades brasileiras nas áreas de combate à corrupção pública, perícias técnicas e crimes eletrônicos. Ele acredita que o aperfeiçoamento de métodos de perícias técnicas podem auxiliar no combate ao crimes de ‘‘colarinho branco’’, como o praticado por Nicolau, acusado de desviar R$ 169 milhões das verbas da União destinadas à construção do TRT.
‘‘Nos Estados Unidos, para processarmos alguém por corrupção precisamos de evidências materiais, como vídeos desta pessoa recebendo suborno, ou uma gravação grampeada autorizada por um juiz’’, afirma. ‘‘A corrupção é o HIV que mata as democracias, as pessoas têm que ter fé em seus governos.’’
A limitação dos poderes do Ministério Público (MP) e o combate à corrupção são dois dos assuntos que estão sendo mais debatidos no 1º Congresso Nacional do Ministério Público. Na cerimônia de abertura do congresso, anteontem à noite, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, José Geraldo Brito Filomeno, disse que por causa da atuação dos procuradores no combate à corrupção ‘‘querem transformar o MP em instrumento do poder político’’. Ele também atacou o projeto de reforma da parte geral do Código Penal apresentado pelo Ministério da Justiça, afirmando que a intenção do governo é reduzir gastos com o cárcere.
O ministro da Justiça, José Gregori, rebateu dizendo que o MP deve processar qualquer pessoa que tenha violado a lei, independente de sua posição. Ele afirmou também que as reformas na legislação pretendem dar aos operadores do direito melhores instrumentos para processar criminosos.
O presidente do congresso, promotor Edson Bonfim, disse que o Brasil tem que entrar no século 21 respeitando seus cidadãos pela sua história, não pelos títulos que ostentam, ‘‘quanto mais alto o cargo do corrupto, maior deve ser a punição’’, disse, numa referência implícita ao juiz Nicolau.

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