Curitiba - O ex-gerente de Negócios de Câmbio do Banestado Eraldo Ferreira vai ser ouvido hoje na CPI do Banestado. Ele enviou uma carta em 1996 ao então secretário de Estado da Fazenda Miguel Salomão contando sobre a remessa ilegal de dólares para o Exterior e o esquema de lavagem de dinheiro através da agência de Nova York. A carta foi recebida em novembro pelo filho de Salomão, Fábio Salomão.
Na carta, Ferreira conta que foi demitido por justa causa em agosto de 1996 ao não ter concordado com as decisões que eram tomadas pelo Comitê de Disciplina do Banestado. Ele disse que, em maio de 1993, foi convidado para assumir a função de captador de empresas e pessoas físicas para abrirem contas na agência de Nova York. Os benefícios para os correntistas seriam extremo sigilo, remuneração anual sobre os depósitos, garantia de saques e depósitos em dólares. Para ele, haveria o repasse de 1,5% do montante captado como comissão.
O ex-gerente conta que conseguiu vários clientes para o Banestado de Nova York. O dinheiro era trocado em casas de câmbio que se utilizariam das ''taxas do mercado negro do dólar para efetivação das operações chamadas de cabo''. Os valores eram depositados sem qualquer custo adicional para o cliente, em momento favorável. Mais de uma centena de contas teriam sido abertas dessa maneira. Os valores negociados ultrapassariam US$ 6 milhões em moeda sem comprovação de origem e que teriam saído ilegalmente do País. (L.P.)

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