Carta e ato público do PT fecham manifestação
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Ayrton Centeno Agência Estado 
Os sete governadores de oposição que voltam a se reunir hoje vão divulgar a Carta de Porto Alegre. A reunião está marcada para as 14 horas, no Palácio Piratini, onde os convidados serão recebidos pelo governador gaúcho Olívio Dutra (PT), no fim da manhã. A conclusão está prevista para às 16h30.
Ontem, ao falar para lideranças dos partidos que formam a Frente Popular (PT-PSB-PC do B-PSB) e do PDT, no Palácio Piratini, Olívio enfatizou que o governo federal não pode riscar do seu dicionário as palavras diálogo e negociação. Explicou que o Rio Grande do Sul deseja a repactuação da dívida com a União - 12,5% da receita líquida real, com uma estimativa de desembolso de R$ 850 milhões, em 1999 - não apenas para ficar mais uns meses em dia, mas para cumprir o contrato.
Olívio considerou que a sugestão de inserir a Lei Kandir, como tem citado o governo federal, no cenário das discussões é positiva. No ano passado, o Estado perdeu R$ 540 milhões com a Lei Kandir e teve um retorno de R$ 40 milhões, relembrou.
No fim da tarde do mesmo dia, deverá acontecer o ato Em Defesa do Povo Brasileiro, na Praça da Matriz, diante do Palácio Piratini. Convocada pelo PT, a manifestação é de solidariedade aos governos estaduais e de repúdio ao governo federal. Uma nota do partido critica a agricultura arruinada, o desemprego recorde, a falência de empresas, a queda do real, a volta da inflação, entre outros ítens. A nota adverte que, neste País quebrado, o presidente Fernando Henrique quer entregar o Banco do Brasil (BB), a Petrobrás, a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Amazônia.
Usando uma comparação irônica, o texto lamenta a ascensão do economista Armínio Fraga à presidência do Banco Central (BC). Para o partido, escolher o ex-funcionário do megaespeculador George Soros é como nomear um vampiro para gerenciar um banco de sangue. O ato ainda pedirá a moratória da dívida externa federal, reforma agrária e mais empregos.


