Os sete governadores de oposição que voltam a se reunir hoje vão divulgar a ‘‘Carta de Porto Alegre’’. A reunião está marcada para as 14 horas, no Palácio Piratini, onde os convidados serão recebidos pelo governador gaúcho Olívio Dutra (PT), no fim da manhã. A conclusão está prevista para às 16h30.
Ontem, ao falar para lideranças dos partidos que formam a Frente Popular (PT-PSB-PC do B-PSB) e do PDT, no Palácio Piratini, Olívio enfatizou que ‘‘o governo federal não pode riscar do seu dicionário as palavras diálogo e negociação’’. Explicou que o Rio Grande do Sul deseja a repactuação da dívida com a União - 12,5% da receita líquida real, com uma estimativa de desembolso de R$ 850 milhões, em 1999 - ‘‘não apenas para ficar mais uns meses em dia, mas para cumprir o contrato’’.
Olívio considerou que a sugestão de inserir a Lei Kandir, como tem citado o governo federal, no cenário das discussões é positiva. ‘‘No ano passado, o Estado perdeu R$ 540 milhões com a Lei Kandir e teve um retorno de R$ 40 milhões’’, relembrou.
No fim da tarde do mesmo dia, deverá acontecer o ato ‘‘Em Defesa do Povo Brasileiro’’, na Praça da Matriz, diante do Palácio Piratini. Convocada pelo PT, a manifestação é de solidariedade aos governos estaduais e de repúdio ao governo federal. Uma nota do partido critica a agricultura ‘‘arruinada’’, o desemprego recorde, a falência de empresas, a queda do real, a volta da inflação, entre outros ítens. A nota adverte que, neste ‘‘País quebrado’’, o presidente Fernando Henrique ‘‘quer entregar o Banco do Brasil (BB), a Petrobrás, a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Amazônia’’.
Usando uma comparação irônica, o texto lamenta a ascensão do economista Armínio Fraga à presidência do Banco Central (BC). Para o partido, escolher o ex-funcionário do megaespeculador George Soros ‘‘é como nomear um vampiro para gerenciar um banco de sangue’’. O ato ainda pedirá a moratória da dívida externa federal, reforma agrária e mais empregos.

mockup