Íntegra da Carta de São Luís, assinada pelos governadores aliados ao governo:
‘‘A harmonia entre a União e os Estados é a base do pacto federativo. Tentar rompê-la é um desserviço ao Brasil e às instituições. O caminho histórico do nosso País tem sido sempre o diálogo e o entendimento; jamais ameaças e medidas de pressão. No momento em que o Brasil realiza grande esforço de resistência aos ataques especulativos à economia nacional, promovendo, com grandes dificuldasdes, um ajuste fiscal, são inadequadas atitudes que podem desestabilizar o País e comprometer sua credibilidade internacional, com grave repercussão interna.
O fracasso do ajuste fiscal seria danoso para os Estados que, com enorme sacrifícios, equilibraram suas finanças e para aqueles que estão implementando os seus programas de ajustes, sem os quais é impossível obter a redução das taxas de juros e a retomada do crescimento econômico. O Brasil não pode ter a sua credibilidade afetada pela vacilação na tomada das medidas destinadas a consolidar a estabilidade econômica, caminho da retomada do desenvolvimento e solução dos problemas sociais.
No pressuposto de que o governo federal examinará a situação dos Estados, reiteramos nosso apoio ao presidente Fernando Henrique Cardoso na adoção de medidas necessárias ao fortalecimento do real e que ele lidere o processo de entendimento, através de mecanismos adequados. Afastamos as ameaças à estabilidade econômica e ao cumprimento das leis, base do estado de direito e do equilíbrio da federação.
Apoiamos as reformas e o ajuste fiscal, e fazemos um veemente apelo ao Congresso Nacional para que conclua sua votação o mais rapidamente possível. A redução das taxas de juros e o tratamento justo aos diversos Estados e municípios são um interativo para a retomada do crescimento econômico e o aumento da oferta de emprego, condições indispensáveis para a redução dos graves problemas sociais que impedem o nosso desenvolvimento.
É necessário, portanto, neste momento, o esforço patriótico para a celebração de um amplo entendimento nacional para a criação das consições necessárias à superação das dificuldades que afetam a União, Estados, municípios e toda a sociedade brasileira. Os governadores signatários deste documento propõem a criação de Conferência Nacional de Governadores, para discussão das questões de interesse nacional, objetivando sua participação efetiva na formulação das políticas econômicas e sociais do País.’’
São Luís do Maranhão, 12 de janeiro de 1999.
Assinam o documento os governadores: Amazonino Mendes (PFL-AM), Cesar Borges (PFL-BA), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Joaquim Roriz (PMDB-DF), José Inácio (PSDB-ES), Marconi Perillo (PSDB-GO), Roseana Sarney (PFL-MA), Dante de Oliveira (PSDB-MT), Almir Gabriel (PSDB- PA), José Maranhão (PMDB-PB), Jaime Lerner (PFL-PR), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), Francisco Flamarion Portela (vice, PPB-RR), Geraldo Alckmin (vice, PSDB-SP), Albano Franco (PSDB-SE) e Siqueira Campos (PPB-TO).

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