O Palácio Iguaçu pediu urgência na votação da carta branca para o governador Jaime Lerner (PFL) e para a vice, Emília Belinati (PTB), se ausentarem do País. A licença – que autoriza por meio de decreto legislativo viagens para o exterior até o final do mandato sem necessidade de pedir autorização à Assembléia Legislativa – deve ser votada hoje ou até o final da semana. A bancada de oposição promete endurecer as críticas que vem tecendo desde que a mansagem chegou à Casa, no dia 10 de abril.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), confirmou que o Palácio quer a licença o mais rápido possível ‘‘no caso de necessidade’’, mas negou que o governador tenha intenção de se afastar do País em breve. No entanto, segundo fontes próximas, a primeira-dama, Fani Lerner (que tem problemas de saúde e pode precisar de tratamento no exterior), seria um dos motivos para apressar a votação da autorização.
A mensagem prevê que o chefe do Executivo e a vice possam se ausentar do Brasil até 31 de dezembro de 2002 sem necessidade de votação de cada pedido de viagem em separado. Os deputados seriam apenas comunicados. Desde que assumiu o governo, em 1995, Lerner contabiliza 39 viagens para a Europa e os Estados Unidos.
A autorização geral para Lerner e Emília viajarem aos países do Mercosul já foi concedida pela Assembléia. Agora, a meta é ampliar a licença. O governador pede a utilização do mesmo sistema para os eventuais afastamentos do País, assim como da vice, não superiores a 15 dias. O secretário do Governo, José Cid Campêlo Filho, admitiu que o objetivo é evitar que a oposição ‘‘arme um circo’’ toda vez que um pedido de licença chega ao Legislativo, gerando desgaste do Executivo. O líder do PMDB, Nereu Moura, lembrou que a Assembléia nunca impediu o governador de viajar. ‘‘Ele não precisa inventar desculpas. É só enviar o pedido com a justificativa do afastamento’’. Para o líder da oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), a carta branca é um ‘‘exagero’’. ‘‘Não vejo razão para esse absurdo’’, reclamou. A oposição teme ainda que Lerner use a licença para se afastar em momentos de crise. O Palácio Iguaçu informa que as viagens são para tratar de assuntos de interesse do Estado.

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