Carta anônima critica trabalho da Ouvidoria
O presidente da comissão que analisa os pedidos de indenização dos ex-presos políticos e de suas viúvas no Paraná, o ouvidor geral do Estado João Elias de Oliveira, levou um susto no último dia 31 ao chegar a seu gabinete. Ele recebeu uma carta anônima depreciando o trabalho da comissão e fazendo críticas aos seus integrantes.
De autoria de um suposto Movimento de torturadores de ex-presos políticos, a carta acusa Oliveira de estar fazendo do seu cargo ferramenta da luta de classes, preparando um exército de ouvidorzinhos marxistas para bagunçar o futuro da Nação. A data para a entrega da carta foi preparada, explica o ouvidor geral. Hoje (dia 31 de março) festejamos uma data incomparável na história da pátria - 24 anos da revolução gloriosa que abriu os olhos do Brasil ao perigo iminente da comunização e de um eventual governo proletário, diz o documento.
Na carta, a comissão de indenização é tachada de pseudo-corte indenizatória, que sob o comando de Vossa Excelência (Oliveira), virou um novo tribunal de exceção, fazendo apologia do crime e enaltecendo os vendilhões da pátria. O ouvidor disse ontem em Curitiba que a carta não altera em nada o trabalho da comissão. Se era sério, nem eu, nem nenhum membro da comissão ficou intimidado.





