Curitiba - A perícia particular contratada pela família de Gilmar Rafael Yared, morto dia 7 de maio em acidente que envolveu o ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho, ainda nem começou o trabalho de analisar os dados coletados pelos radares de velocidade da Urbanização de Curitiba (Urbs) mas já encontrou problemas.
Segundo o perito Walter Kauffmann, até o momento apenas as listas de carros registrados pelo sistema chegaram até a mão dos técnicos, que descobriram indícios de mau funcionamento nos registros da Urbs. ''Há carros que simplesmente somem da via'', conta Kauffmann.
Os radares implantados pela Urbs em Curitiba possuem um sistema de reconhecimento das placas que registra todos os veículos que circularam na via, mesmo que dentro da faixa de velocidade aceita no trecho.
O problema identificado pelos peritos é que numa rua em que há mais de dois radares em seguida, há carros que deixam de ser identificados por pelo menos um deles. ''O carro aparece no primeiro radar e no terceiro, mas não no segundo'', aponta.
Kauffmann diz que trabalha com fatos e provas e não quis adiantar conclusões. ''O que sabemos até agora é que existem falhas, provavelmente não nos radares, mas no sistema que armazena essas informações'', analisa. A extensão exata do problema os peritos só devem ter quando concluirem os trabalhos.
A análise dos dados colhidos pelos radares da Urbs foi solicitada pelo advogado Elias Mattar Assad, que representa a família Yared, porque o sistema não registrou o carro de Carli Filho na noite do acidente. Nenhum radar da rua Ivo Zanlorenzi, via na qual aconteceu a colisão, apontou a passagem do Volkswagen Passat Variant do ex-deputado.
Há um radar na via na esquina com a rua Grã Nicco, há 600 metros do ponto onde aconteceu a colisão. Outra hipótese é que o ex-parlamentar tenha acessado a Ivo Zanlorenzi pela rua Francisco Lipka, que fica a 500 metros do local do acidente. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura ontem, mas não obteve resposta.

No limite
Segundo dados da perícia realizada por Kauffmann nos vídeos de segurança que registraram o acidente, o carro de Carli Filho atingiu o Honda Fit em que estava Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida a 191 km/h.
A Volkswagen, fabricante do Passat do ex-parlamentar, informa que o veículo tem velocidade máxima de 210 km/h. ''Estamos analisando se o motor do carro foi alterado'', adianta.
Uma possível adulteração do carro explicaria, por exemplo, como o Passat teria saído da esquina das ruas Ivo Zanlorenzi com Francisco Lipka, numa velocidade possivelmente próxima aos limites da via (60 km/h) e chegado no local da colisão a 191 km/h. Nesta segunda-feira será realizada reconstituição do acidente.

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