Entre 2010 e 2011, o carro oficial do prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), um Corsa Hatch com placa AGT 7595, foi multado dez vezes. Oito das multas foram aplicadas por radares e agentes de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Os dados constam de procedimento de investigação instaurado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organização (Gaeco) para apurar cancelamentos irregulares de multas aplicadas a parentes de cargos comissionados na CMTU.
O Núcleo de Comunicação da Prefeitura de Londrina informou que os responsáveis pelas dez multas são os assessores de Barbosa que trabalhavam como motoristas: Luciano Borrozino, hoje diretor de Operações da CMTU, praticou cinco infrações em 2010; e Alex Romero, atual motorista do prefeito, foi responsável por cinco multas em 2011.
O caso que mais chama a atenção são duas multas aplicadas em 2 de fevereiro de 2010, às 21h16, no cruzamento das ruas João Cândido e Benjamin Constant, no centro de Londrina. Neste horário, o veículo foi flagrado ultrapassando o sinal vermelho e o motorista dirigia com um animal no colo ou do lado esquerdo. Borrozino assumiu a autoria da primeira multa e inclusive apresentou recurso à Diretoria de Trânsito da CMTU, que foi negado. Ele não recorreu quanto ao fato de transportar animal de forma irregular.
A reportagem tentou contato com Borrozino, mas ele não atendeu o telefone celular. O responsável pelo Núcleo de Comunicação, José Otávio Sancho Ereno, minimizou a importância de utilizar um carro público para o transporte de animais e afirmou que ''o condutor não se lembra do ocorrido e já assumiu a responsabilidade pelas multas''.
O Núcleo também não respondeu sobre uma multa aplicada ao carro do prefeito às 3h13 da madrugada do dia 1º de junho de 2010, em Curitiba. José Otávio afirmou que não é possível saber o compromisso do prefeito nesta data porque não há um arquivo e ''a secretária que cuidava da agenda do prefeito na época não está mais na equipe''. A mesma resposta foi concedida quanto à multa aplicada em 1º de agosto de 2010 por excesso de velocidade na rodovia SP-225, no município de Santa Cruz do Rio Pardo, em São Paulo. O veículo trafegava a 130 quilômetros por horas e o limite era de 110 Km/h.
As multas lavradas em 2010 já foram pagas. ''As multas foram pagas pela prefeitura no licenciamento e emitido documento para o condutor reembolsar ao município'', afirmou José Otávio, garantindo que Borrozino ressarciu os cofres públicos.
Sem condutor
As cinco multas de 2011, atribuídas pelo Núcleo de Comunicação a Alex Romero, ainda não foram pagas e o débito pendente é de R$ 723,57. Três das cinco multas são réplicas de multas anteriores porque a Prefeitura de Londrina não apresentou o condutor do veículo no prazo estabelecido pelo Código Brasileiro de Trânsito. Conforme o artigo 257, ao receber a notificação da infração, pessoas jurídicas têm prazo de 30 dias para apresentar o condutor, que receberia os pontos na carteira de habilitação. Caso isso não ocorra, a empresa recebe uma segunda multa no mesmo valor da primeira.
No caso da Prefeitura de Londrina, a não apresentação do condutor ocorreu três vezes em 2011, gerando multas dobradas. E, em 2010, uma das multas atribuídas a Borrozino também não teve apresentação de condutor. Trata-se da madrugada em que o veículo oficial do prefeito foi multado em Curitiba.
Segundo José Otávio, a não apresentação do condutor foi falha dos próprios motoristas. ''Por isso, vai ter que pagar dobrado.'' Ele também informou que o veículo em questão - não mais utilizado pelo prefeito, que o substituiu por outro de mesmo modelo - era de uso exclusivo do prefeito e jamais poderia - como qualquer carro oficial - ser utilizado para fins pessoais.

Imagem ilustrativa da imagem Carro oficial de Barbosa foi multado dez vezes
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