Um carro, uma corneta, um som. O equipamento relativamente simples reproduz a propaganda de candidatos a prefeito e vereador pelas ruas. Se o custo compensa, o barulho provocado por este tipo de recurso pode surtir o efeito contrário em termos de divulgação para os candidatos.
Candidato à reeleição para a Câmara Municipal, João Adib Abussafi (PMDB) utiliza o recurso em sua campanha. Ele destacou que um amigo já tinha o carro equipado e emprestou para a campanha. Abussafi investiu apenas R$ 150 para fazer o lay-out dos adesivos que cobrem a van. ''O carro circula em todas as regiões da cidade e quando tem carreata eu estou à disposição do partido. Mas não sei se vale a pena, porque eu mesmo quando estou dirigindo não gosto de barulho do lado'', confessou. O vereador garante que nunca recebeu reclamação e que o som do carro ''é bem baixinho''. ''Essa propaganda faz parte para completar a campanha eleitoral. O carro rodando é uma propaganda a mais e chama a atenção'', ponderou Abussafi.
Estreante em campanha, o comerciante Orlando de Almeida (PTB) está utilizando um carro de som para divulgar sua candidatura a vereador. O carro é dele e passou por uma pequena adaptação. ''Eu tinha umas cornetas antigas e gastei R$ 15 para o rapaz fazer a ligação'', contou. Orlando explicou que usa o carro para passar nos bairros onde é conhecido. ''Não tenho condições de pagar pessoas e tenho que fazer alguma coisa para divulgar o meu nome'', justificou. Ontem, o carro do candidato circulou pelos bairros Lindóia, Ernani Moura Lima e Guilherme Pires.
O radialista Antenor Ribeiro (PMDB), vereador por quatro mandatos, aproveita a voz já conhecida dos meios de comunicação e usa uma carreta para divulgar seu jingle de campanha. ''Acho válido porque leva a nossa mensagem. Eu uso o som também para falar com as pessoas nos bairros com o microfone'', enumera o candidato. Antenor justifica que escolheu este meio por estar na sua área profissional. ''O povo me conhece através do rádio e meu instrumento de trabalho é a voz'', acrescentou. O custo do ''aparelho de som sobre rodas'' foi econômico. ''Normalmente, já tem um custo baixo. Como o carro é da empresa da minha mulher, ficou mais barato ainda, ela deu um desconto bom'', brincou o radialista. O candidato detalhou que não recebeu reclamações com relação ao barulho.

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