Curitiba - A CPI do Banestado encontrou mais indícios de irregularidades nos procedimentos tomados quando da morte do ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário de Esportes e Turismo Osvaldo Magalhães dos Santos. Ele morreu em um acidente de carro em 7 de setembro de 1998, quando bateu o Ômega que dirigia contra um caminhão. O veículo, que teve perda total por causa do acidente, continua circulando atualmente, de forma irregular. Por causa de dúvidas sobre o acidente, a CPI quer pedir à Justiça pela exumação do corpo.
Através de consulta ao Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná, a CPI descobriu que o Ômega 1997 (placas AGZ-8920), foi emplacado no ano passado, o que levantou questionamentos do deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), relator da CPI. O carro havia ficado totalmente destruído no acidente, que aconteceu na BR-277 em Palmeira (40 quilômetros ao sul de Ponta Grossa).
O Detran, através da assessoria de imprensa, alega que não foi informado sobre o acidente. Pela Resolução 25 de 1998 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), os órgãos fiscalizadores devem comunicar ao Detran os acidentes de média e grande monta, para que seja bloqueado o cadastro do veículo. Quando um carro acidentado é recuperado, precisa passar por uma perícia técnica que determina se o veículo tem condições de voltar a circular. O Detran afirmou ontem que agora vai bloquear o cadastro do Ômega para solicitar uma vistoria.
A Polícia Rodoviária Federal informou que o trecho em que ocorreu o acidente é de jurisdição da Polícia Rodoviária Estadual. A reportagem não conseguiu contato com o órgão ontem no final da tarde.
A CPI apurou várias irregularidades nos documentos sobre a morte de Osvaldo Magalhães. Não há laudo da arcada dentária e o laudo do cadáver não estaria de acordo com as características dele. A CPI quer pedir a exumação do corpo do ex-secretário na semana que vem. Magalhães é acusado pelo Ministério Público Estadual e Federal de causar prejuízo de R$ 400 milhões (ou R$ 600 milhões, segundo a CPI) ao Banestado. Ele teria autorizado empréstimos a empresas que não tinham como devolver o dinheiro.

mockup