Carro de candidato é atingido por tiros
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quarta-feira, 02 de agosto de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
O automóvel Vectra da Assembléia Legislativa utilizado pelo deputado Edgar Bueno (PDT), 51 anos, foi atingido por quatro disparos de arma de fogo por volta das 22h30 de anteontem, no Bairro Campo Comprido, em Curitiba. O carro estava estacionado na garagem da casa do motorista do deputado, Antonio Faé, 45 anos, que chegou minutos antes. Faé havia chegado em casa depois de deixar Bueno em seu apartamento, onde se recupera de uma cirurgia de hérnia de disco. Foi um recado intimidatório, avaliou o deputado que, cauteloso, preferiu não vincular os disparos com o fato de ser candidato a prefeito de Cascavel.
Os tiros, provavelmente de uma arma de grosso calibre, atingiram o carro na parte traseira dois deles na lateral direita, pouco acima do pára-lama e outros dois estilhaçaram o vidro que fica acima do porta-malas. Dois projéteis ficaram alojados no painel do Vectra, que será encaminhado para perícia no Instituto de Criminalística. O caso está sendo investigado pelo 11º Distrito Policial. O delegado Joel de Oliveira também classificou o fato como uma intimidação, pois nenhuma pessoa foi atingida.
Até ontem à noite a polícia tinha ouvido apenas uma testemunha dos disparos. O delegado disse que a testemunha contou que os tiros foram disparados de um automóvel Tempra de cor escura, no qual estavam pelo menos dois homens encapuzados, e um deles teria gritado algumas palavras (o delegado preferiu não revelar quais foram) que poderiam indicar a real motivação do suposto atentado.
Bueno revelou que há algum tempo vinha recebendo ameaças de formas diversas por telefone. O deputado acredita que as ameaças tenham origem em seu envolvimento na CPI que investiga o crime organizado no Paraná mas não eram nada consistentes (as ameaças) e nem dei bola. Há quatro meses, contou Bueno, ele procurou os promotores Carolos Alberto Choinski e Cláudia Biazus, de Cascavel, para relatar que tinha recebido informações de que estaria sendo preparada uma armação para que um de seus dois filhos fosse preso com drogas.
O deputado descartou a possibilidade de que a intimidação tenha sido dirigida ao seu motorista, que trabalha em seu gabinete há seis anos. O Faé é uma pessoa pacífica, acho que nem sabe o que é um canivete, comentou. Bueno disse que a intimidação poderia interessar não só a quem executa, mas a quem protege o crime organizado. Apesar dos tiros em seu carro oficial, Bueno assegurou que vai manter suas atitudes no cotidiano. Não tenho segurança e nem ando armado e vou continuar agindo assim.
O parlamentar licenciou-se ontem do cargo na AL, para poder se dedicar à campanha em Cascavel. Seu adversário na disputa é o também deputado estadual (igualmente licenciado) Tiago de Amorim Novaes (PTB) que não se pronunciou a respeito do caso. O petebista tem apoio do prefeito Salazar Barreiros (PPB) e do Palácio Iguaçu. Nos bastidores da política local comenta-se que a campanha vai ser marcada pela agressividade entre os dois candidatos. Bueno espera que o episódio da noite de anteontem não tenha qualquer desdobramento perigoso na campanha. (Colaborou Rubens Burigo Neto, de Curitiba)


