Carro-chefe da campanha do presidente é citado
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domingo, 14 de dezembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Dezenas de obras irregulares constam do programa Brasil em Ação, carro-chefe da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição. Desde 1995, esses projetos, sobretudo nas áreas de irrigação e infra-estrutura, frequentam as listas do TCU e do Orçamento, mas mesmo assim foram escolhidos pelo governo para se beneficiar da partilha de R$ 6,3 bilhões, assegurados para o Brasil em Ação em 98.
Empreendimento de grande porte, o Porto de Suape, no Recife, recebeu R$ 11 milhões este ano e deve ter mais R$ 62 milhões no ano que vem, apesar de ser alvo de vários processos do Tribunal de Contas da União (TCU). As denúncias referem-se à contratação de empresa para elaboração do plano diretor, à execução da operação portuária, ocupação ilegal de área e infração da lei ambiental.
Outras obras caras e grandes classificadas como irregulares, como a conclusão da eclusa de Jupiá na hidrovia Tietê-Paraná e a ponte rodoferroviária na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, vão continuar se beneficiando dos repasses de verbas federais. No Brasil em Ação, estão reservados R$ 11 milhões para Jupiá e R$ 75 milhões para a ponte. Essa ponte já consumiu centenas de milhões e ainda precisa de R$ 132 milhões, além dos R$ 75 milhões, para ser concluída.
O porto de Suape e a eclusa de Jupiá não constaram da lista de obras preparada pelo Congresso, cuja execução dependeria de medidas saneadoras. Das 21 obras, dez, incluindo a ponte rodoferroviária, fazem parte do Brasil em Ação. Nove projetos irregulares, que consumirão em 98 cerca de R$ 100 milhões, são na área de irrigação. Várias estradas de realização suspeita também foram escolhidas para receber dinheiro do Brasil em Ação.


