Curitiba - O secretário especial do Governo do Paraná e ex-secretário estadual de Obras Públicas, Luiz Caron, pediu demissão, ontem, após a publicação de uma carta de autoria do seu filho, Guilherme Richter Caron, em um jornal da capital do Estado. Na carta, escrita em tom pessoal, Guilherme faz duras críticas ao governador Roberto Requião (PMDB).
Guilherme menciona o fato ocorrido no início do ano, quando o governador foi inaugurar o Palácio das Araucárias, no Centro Cívico, em Curitiba. Responsável pelas obras, o então secretário de Estado, Luiz Caron, foi advertido publicamente pelo governador Requião por ter mantido divisórias em determinados espaços do edifício. ''E meu pai... Infelizmente não saiu do governo quando foi ofendido. Os motivos daquele ataque de nervos do governador não foi apenas por causa (...) das divisórias. Tem muito mais por trás dessa explosão desnecessária.''
No trecho seguinte, Guilherme sugere que a ''explosão'' tentaria forçar um pedido de demissão do seu pai, ''que durante quatro anos atrapalhou muitas tentativas de saque da Seop''. ''Para eles demitir meu pai era muito arriscado. O secretário de Obras era muito competente, honesto (...). Seria difícil justificar sua demissão.'' Não é a primeira vez que Guilherme sai publicamente em defesa do pai. Após o episódio no Palácio das Araucárias, Guilherme também publicou uma carta atacando o governador.
A primeira consequência da carta, intitulada ''O desabafo de Guilherme'', surgiu logo pela amanhã, quando Luiz Caron divulgou uma carta enviada ao governador. Na carta ele demonstra constrangimento com a atitude do filho, elogia a gestão Requião e, por fim, pede demissão do cargo de secretário especial. ''Não sei o que dizer. Sinto que meu filho Guilherme não tenha me ouvido em janeiro e nesta oportunidade não tenha ao menos me avisado de sua intenção ao escrever esta carta. (...) Sinto que estou sendo usado e que meu filho tenha caído na armadilha'', diz trecho.
Em outro trecho, Luiz Caron afirma que ''o constrangimento de hoje não é possível suportar''. ''O senhor haverá de compreender o conflito entre o pai e o profissional'', justificou. O secretário especial pretendia coordenar a construção do Centro Judiciário de Curitiba e a reforma do Palácio Iguaçu. A assessoria de imprensa do Executivo informou que o governador Requião lamentou a saída de Luiz Caron. Requião não quis comentar sobre a carta escrita por Guilherme.

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