O corte de carne bovina - fraldinha de diafragma - servido pela empresa terceirizada SP Alimentação na merenda escolar e unidades de saúde do município não está previsto no contrato assinado com a prefeitura, no valor de R$ 10,4 milhões. As três opções de carne bovina permitidas pelo contrato são coxão mole, coxão duro e patinho. As informações foram passadas pela coordenadora do programa Merenda Escolar, Cristina Yoshida - o órgão da secretaria de Educação responsável pelo acompanhamento dos aspectos nutricionais das refeições. Segundo Yoshida, a utilização de carne não autorizada configura uma irregularidade contratural independentemente de suas condições sanitárias.
''O que a empresa for servir fora dos cortes especificados tem que ser comunicado previamente. Se houver justificativa plausível, pode haver a troca. Mas, nesse caso, não chegou para nós qualquer solicitação'', afirmou Yoshida. ''Mesmo se a carne não estiver contaminada, ou comprometida na questão da coloração, já é uma falha no contrato.'' As suspeitas de irregularidades na conservação de alimentos, da SP - inclusive a carne - foi levantada pelo Conselho Municipal de Alimentação Escolar (CAE) na semana passada durante vistoria na sede da empresa.
O frigorífico Minerva, que fornece a fraldinha de diafragma para a SP Alimentação, informa em seu site que se trata de um miúdo - o corte não é identificado como carne de primeira nem de segunda.
A FOLHA conversou com representantes de frigoríficos da região de Londrina e foi informada de que a fraldinha que se encontra nos açougues é diferente da fraldinha de diafragma. A primeira é retirada da bisteca do bovino e a segunda encontra-se na parte interna da costela, fixada por uma membrana. A fraldinha de diafragma é mais utilizada industrialmente, para preparo de mortadelas e embutidos, mas também é servida para espetinhos de churrasco.
O controlador do Município, Mílson Ciríaco Dias, tomou conhecimento pela FOLHA de que o corte não estaria previsto no contrato. Ele afirmou que, se for confirmada a irregularidade, a empresa deverá ''receber penalidades antes mesmo do relatório final que está sendo elaborado.'' A Controladoria abriu investigação sobre o assunto nesta quarta-feira e está vistoriando as escolas.
A SP Alimentação suspendeu ontem a utilização da fraldinha de diafragma e ''subiu o cardápio'' - ou seja, adiantou o cardápio do dia seguinte e retirou o de quarta-feira, que continha o corte suspeito. A empresa está recolhendo mais de uma tonelada da carne que está nas escolas.
Sobre a suposta infração contratual, a coordenadora regional da SP, Tereza Cristina Thomazin, afirmou que eventuais alterações de produto são previamente comunicadas ao município. Nesse caso, porém, ela não conseguiu localizar a comunicação. ''Houve mudança de coordenação local e a ex-coordenadora ainda não achou. Mas vamos continuar procurando. Se não houve essa formalização, tivemos um erro'', disse.

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