Carne Fraca expõe loteamento de cargos no País
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segunda-feira, 27 de março de 2017
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 

Quando o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estava sob o comando do PMDB, tendo à frente a senadora Kátia Abreu (PMDB/TO), em 2015, os deputados federais peemedebistas do Paraná Osmar Serraglio (hoje ministro da Justiça), Sergio Souza, Hermes Parcianelo e João Arruda indicaram, formalmente, o nome do fiscal Daniel Gonçalves Filho para a superintendência do órgão no Estado. O fiscal está preso na operação Carne Fraca, suspeito de ser um dos principais articuladores do suposto esquema de corrupção nos frigoríficos no Paraná.
A articulação da bancada em favor de Daniel é confirmada por Souza e Arruda, integrantes daquele grupo de parlamentares que se reuniu com a então ministra. Ambos são citados em conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF), com autorização judicial, embora não sejam investigados. Segundo Souza, a indicação "partiu de toda a bancada do PMDB do Paraná". Arruda afirmou que era contra a indicação, "mas a maioria da bancada do partido na Câmara decidiu assim". Como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff estava em discussão no Congresso, Arruda informou que chegou a pedir para a ministra a retirada da assinatura dele do documento. "Naquele momento se falava que estávamos trocando cargos pelo voto no processo da presidente Dilma." Katia Abreu defendeu Dilma durante todo o processo de cassação.

Souza, que enviou nota à redação para rebater as citações sobre ele, afirmou que "infelizmente a prática é essa". "(A indicação política) Ocorre no município, entre os vereadores e o prefeito; ocorre no governo estadual junto à Assembleia e ocorre no governo federal. O ministério está vinculado a um partido e assim são feitas as nomeações." Ele disse, ainda, que "com relação às notícias veiculadas de que teria recebido muito dinheiro para votar a favor do impeachment, tenho a esclarecer que tais ilações são descabidas e feitas por pessoas que sequer têm conhecimento da minha conduta, seja enquanto cidadão, seja enquanto parlamentar".
Em entrevista à FOLHA, Souza afirmou ter ouvido da ministra, ao lado dos demais parlamentares, que "nos estados em que o partido tinha senador, ele seria ouvido". No caso do Paraná, disse ele, o senador Roberto Requião (PMDB) também teria avalizado a indicação do fiscal investigado. Entretanto, Arruda, que é sobrinho do senador, disse que Requião "preferiu não interferir".
A prática do loteamento se repetiu após a saída do PMDB do Mapa. O PP, do ministro Blairo Maggi, indicou Gil Bueno de Magalhães, que também está preso. "A gente indica pelo currículo. Como imaginar que alguém que estava há tantos anos no serviço público poderia fazer algo assim! Tanto que a partir de agora, se eu for consultado, vou deixar para o titular da pasta, não vou interferir", justificou Arruda. A reportagem não conseguiu falar com Serraglio nem com Parcianelo.


