Fernando Segovia informou que irá responder aos questionamentos do ministro Barroso, do STF, na quarta-feira (14).
Fernando Segovia informou que irá responder aos questionamentos do ministro Barroso, do STF, na quarta-feira (14). | Foto: José Cruz/Agência Brasil



Brasília - O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, divulgou vídeo neste domingo (11) no qual faz uma defesa do diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia. Segundo o ministro, o delegado tem o "dever de observar inquéritos de grande repercussão, até para que a PF não seja utilizada como instrumento de guerra política".

A declaração ocorre após o diretor-geral da PF afirmar, em entrevista à agência de notícias Reuters, que as investigações não encontraram provas de irregularidades envolvendo o presidente Michel Temer no chamado decreto dos portos. Na entrevista, ele deixa a entender que a corporação vai recomendar o arquivamento do inquérito aberto contra o emedebista no Supremo Tribunal Federal (STF).

As declarações causaram mal-estar entre delegados da PF e levaram o ministro do Supremo Luis Roberto Barroso a cobrar explicações de Segovia. Na intimação dada na manhã de sábado (10), Barroso sugere que, ao comentar um inquérito em andamento, o diretor-geral da PF pode ter cometido infração administrativa ou até mesmo penal.

Marun, porém, diz estranhar a "celeuma" em torno das declarações. "Já assisti dezenas, talvez até centenas de entrevistas de delegados, de promotores a respeito de inquéritos em andamento. Por isso até estranho essa celeuma que se estabelece no momento em que o diretor-geral da Polícia Federal verbaliza o óbvio: que num inquérito aonde não existem provas, não existem indícios, que não existe sequer a materialização do ato ilícito, tenha a tendência de ser arquivado", afirma o ministro no vídeo.

MATÉRIA REEDITADA

A agência de notícias Reuters reeditou a matéria da entrevista exclusiva com o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia. O texto original, publicado na noite de sexta-feira (9), dizia que Segovia tinha afirmado que a tendência era de arquivamento pela PF da investigação envolvendo o presidente Michel Temer sobre o Decreto dos Portos.

Na alteração do conteúdo, a Reuters trocou o verbo "afirmar" por "indicar" ao qualificar as declarações de Segovia. No início do texto reeditado, a agência faz a seguinte ressalva aos leitores: "Esclarece que Segovia disse que até o momento não há indício de crime no caso, indicando, em vez de afirmando, que a tendência é que a PF arquive o caso".

Também no sábado, entidades de classe se manifestaram, por meio de nota à imprensa, sobre as declarações de Segovia. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) disse que nenhum dirigente deve se manifestar sobre investigações em andamento. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) afirmou que é "sempre temerário que a direção-geral emita opiniões pessoais sobre investigações nas quais não está diretamente envolvida". Já o presidente da OAB Nacional, Claudio Lamachia, afirmou não ser "apropriado" que o diretor-geral da PF "dê opiniões a respeito de investigações em curso".

Em nota divulgada sábado, Segovia negou ter dito que iria arquivar o inquérito. "Afirmo que em momento algum disse à imprensa que o inquérito será arquivado. Afirmei inclusive que o inquérito é conduzido pela equipe de policiais do GInqE com toda autonomia e isenção, sem interferência da Direção Geral", afirmou o diretor-geral da PF, na nota, informando que só irá responder aos questionamentos do ministro Barroso, do STF, na quarta-feira (14).

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