O ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) não está mais sozinho na cela que ocupa no 2º Distrito Policial, zona leste de Londrina. Às 23h30 de anteontem, seu tesoureiro de campanha e amigo pessoal, o empresário Cassimiro Zavierucha, 56 anos, conhecido como Carlos Júnior, chegou de Eldorado (MS), onde foi preso na quinta-feira, quando trabalhava em medições para sua empresa de pavimentação.
Depois de uma primeira noite de prisão com temperatura amena, mais uma vez o ex-prefeito teve que reforçar o número de cobertores. O frio atingiu 7 graus centígrados por volta das 5 horas. Precavido, o advogado de Zavierucha, o criminalista Mauro Viotto, já havia providenciado colchão, cobertores e alimentos para o cliente.
Segundo um policial civil, que não quis se identificar e estava de plantão no distrito, ambos dormiram tarde e só acordaram às 10 horas. Viotto foi o primeiro a visitá-los logo em seguida. Duas irmãs do ex-prefeito também foram até o distrito pela manhã e permaneceram na cela durante aproximadamente uma hora. ‘‘Ele não comentou nada sobre a prisão. Mas está bem. Estamos orando por ele’’, relatou a irmã Marlene, que saiu rapidamente do distrito após a visita.
Viotto disse que a família de Carlos Júnior deveria visitá-lo no período da tarde. ‘‘Obviamente, eles se sentem injustiçados, perseguidos, jogados no fundo de um cárcere. Na verdade, não foi respeitado o princípio da inocência, causando sobressaltos desnecessários para as famílias ’’, contou. ‘‘Mas tenho absoluta certeza que na segunda-feira o Tribunal de Justiça deve conceder liminar libertando meu cliente e os demais’’, disse o advogado, otimista.
Afinado com o discurso do advogado Ronaldo Neves, defensor do ex-presidente da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, atual CMTU), Kakunen Kyosen, preso no 3º DP, Viotto atacou o Ministério Público (MP). Para o criminalista, os promotores fazem uma perseguição pessoal contra seu cliente.
‘‘Foi uma decisão inaudita na história do Fórum de Londrina. Os promotores são narcisistas. Adoram a mídia. A (prisão) preventiva é um absurdo. Meu cliente tem residência fixa em Londrina, trabalha aqui. Não há nada que sugira que ele iria fugir. Se a juiza substituta (Fabiana Karam) considerou esta possibilidade para decretar a prisão somente porque ele estava em um trabalho fora da cidade foi uma estupidez tamanha’’, afirmou.
Viotto também se irritou ao comentar o argumento do MP de que seu cliente não estava colaborando com as investigações. ‘‘Através de uma petição datada 21 de maio, informamos à 4ª Vara Criminal que meu cliente se reconhecia citado e intimado a comparecer no dia 14 de junho para depor, além de ter se declarado à disposição da Justiça’’, informou. A audiência mencionada acabou não ocorrendo porque a data era um feriado, Corpus Christi.

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