Carlos Júnior confirma existência de lista
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2002
Lino RamosReportagem Local 
O empresário Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior, confirmou ontem a existência da lista atribuída à movimentação financeira da campanha do deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSL), em 1998. Ele foi interrogado pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas, no processo sobre o desvio de R$ 270 mil da extinta Comurb (atual CMTU). Zavierucha admitiu que as anotações feitas em um livro sob o título Movimento do Caixa foram preenchidas de próprio punho, mas com os dados repassados pelo ex-diretor-financeiro da Comurb Eduardo Alonso de Oliveira.
Amigo de Antonio Belinati (sem partido) desde 1962, o empresário negou que tenha sido caixa de campanha do ex-prefeito. Sobre a documentação apreendida em sua casa, disse que só guardou os documentos do comitê eleitoral porque, no final da campanha, Alonso lhe pediu que guardasse temporariamente um pacote. Fique com você esse invólucro (pacote) que depois eu pego, teria afirmado o ex-diretor da Comurb.
A documentação foi apreendida em abril de 99 pelo Ministério Público (MP) na casa do empresário, durante as investigações do chamado Escândalo AMA/Comurb. Nessa operação foi encontrada a lista com anotações de repasses para políticos, jornalistas e cabos eleitorais.
Para o promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), a lista é uma prova cabal sobre o uso de verbas públicas em campanha eleitoral. A lista é uma das provas mais contundentes já coletadas e mostra exatamente a movimentação do dinheiro subtraído dos cofres públicos, comentou. Diversas lideranças citadas na lista confirmaram ter recebido para trabalhar na campanha eleitoral de 98.
Durante o interrogatório ontem à tarde o empresário também negou as acusações do MP de que teria recebido R$ 80 mil da Iasin Sinalização Ltda (empresa de Curitiba envolvida no esquema) e ainda efetuado um depósito de R$ 3,5 mil na conta da vice-governadora, Emília Belinati (PFL). Zavierucha alegou que foi Alonso quem depositou os R$ 80 mil em sua conta como pagamento de um empréstimo.
O ex-diretor da Comurb reagiu com ironia às declarações do empresário. Eu nunca peguei um centavo desse senhor, só o respeitava diante de seu status político dentro da administração Belinati, comentou. Alonso disse ainda que os fatos serão esclarecidos durante a instrução processual. Isso faz parte de uma manobra que eu já esperava. Quem sou eu para contradizer um homem com tantas ligações políticas, ironizou.


