Agência Folha
De Brasília
‘‘O grande projeto da Justiça é rever a legislação. Temos leis muito malfeitas’’. Com essa frase o novo ministro da Justiça, o criminalista José Carlos Dias, 60 anos, resumiu o que considera ser, junto com a reforma do judiciário, a prioridade de sua atuação. Ontem, logo depois de chegar a Brasília para participar da cerimônia de anúncio do novo ministério, Dias já fazia questão de deixar claro que foi escolhido pelo próprio presidente e que, para ele, não há diferença entre ser técnico e político, na sua função.
‘‘Eu não faço distinção entre técnica e política, mas a política grandiosa. Depois de pouco mais de 20 minutos de conversa com o presidente, Dias também fez questão de afirmar que não pode haver ingerências políticas na Polícia Federal, um dos focos de problemas para o ex-ministro Renan Calheiros.
O novo ministro da Justiça foi secretário da Justiça do Estado de São Paulo, de 16 de março de 1983 a 26 de junho de 1986, no governo de Franco Montoro, que morreu ontem. Dias também presidiu a Comissão de Justiça e Paz, de 1979 a 1981. A comissão, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi criada em 1971, logo após o Ato Institucional nº 5, e teve grande atuação na defesa dos direitos dos presos políticos do regime. O advogado criminalista era muito ligado ao antigo cardeal-arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, que o indicou para o cargo de secretário da Justiça de Montoro em 1983.
Dias ficou famoso pela defesa de vários perseguidos políticos durante o regime militar. Outro caso que tornou o novo ministro da Justiça famoso foi a defesa de Jorge Delmanto Bouchabki, mais conhecido como Jorginho, julgado pela acusação de assassinar seus pais em 1988, no caso que ficou conhecido como o crime da rua Cuba. O filho do casal morto foi inocentado por falta de provas.

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