Carli Filho vai a júri popular em janeiro de 2016
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Mariana Franco Ramos Grupo Folha 
O júri do ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, acusado de matar Gilmar de Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida em um acidente automobilístico em 2009, em Curitiba, foi marcado para os dias 21 e 22 de janeiro de 2016, às 9 horas. O despacho com a data foi emitido na última terça-feira (22) pelo juiz Leonardo Bechara Stancioli e a informação confirmada hoje pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.
A expectativa pela marcação do julgamento vinha desde o início desta semana, quando terminou o prazo para a apresentação das testemunhas. No caso da defesa, Stancioli determina, na peça, que as oitivas ocorram por carta precatória, uma vez que os indicados moram em São Paulo (SP). Carli Filho responde pelo crime de homicídio doloso eventual (quando o envolvido, mesmo sem querer efetivamente o resultado, assume o risco). Na época, um exame no hospital mostrou que o então parlamentar tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Como o procedimento foi feito enquanto ele estava desacordado, porém, acabou desconsiderado pela Justiça.
O advogado Gustavo Scandelari, um dos responsáveis pela defesa do ex-deputado, entretanto, argumenta que o julgamento não pode acontecer antes da análise dos recursos interpostos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os agravos dizem respeito a supostas irregularidades no processo. "O exame de alcoolemia feito no sangue dele (Carli) foi declarado ilícito pelo TJ, que mandou riscar os trechos descrevendo essas provas dos autos. Ocorre que o Código de Processo Penal, em seu artigo 157, determina que as provas ilícitas devem ser retiradas, e não simplesmente riscadas. A defesa está confiante de que deve haver primeiramente a decisão do STJ sobre isso", afirmou.
A acusação, representada pelo advogado Elias Mattar Assad, entende o contrário: que não há motivo para suspender o caminho natural do processo. Mãe de uma das vítimas fatais, a deputada federal Christiane Yared (PTN) escreveu, em sua conta na rede social Facebook, que o julgamento será um divisor de águas. "O ex-deputado dirigia o carro que voou sobre o carro do meu filho, provocando a morte trágica dele e de seu amigo Carlos Murilo. Não queremos vingança, mas justiça. Como sempre diz o meu marido Gilmar: não lutamos mais pelo filho morto, lutamos pelos filhos vivos", postou.


