Curitiba - O ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho utilizou pelo menos um dos dois celulares que portava até 6 minutos antes do momento em que se envolveu no acidente que resultou na morte de dois jovens. A informação é do advogado Elias Mattar Assad, que defende a família de Gilmar Rafael Yared, uma das vítimas. ''A última ligação feita pelo deputado foi às 0h48'', contou Assad.
As informações foram prestadas pelas operadoras Claro e Nextel, responsáveis pelos telefones do ex-parlamentar, ao delegado que preside o inquérito do caso, Armando Braga. Braga confirma que recebeu os dados das operadoras, mas diz que ainda não é possível utilizar essas informações para estabelecer o caminho que Carli Filho fez para ir do restaurante em que jantou até o local da colisão.
''Temos que colher mais informações para poder estabelecer esse trajeto. O que as operadoras nos informaram foram as ligações efetuadas e recebidas pelos dois aparelhos e as torres utilizadas pelos equipamentos na conexão com a rede telefônica'', explicou. A localização de Carli Filho poderá ser determinada pela localização das torres que captaram as ligações feitas por ele. ''Ele fez mais de uma ligação no período de tempo entre a saída dele do restaurante até o momento do acidente'', diz Braga.
Para Assad, a análise dos dados pode ajudar a responder a uma questão em especial: ''O que queremos saber é que caminho ele fez naquela noite''. A dúvida persiste porque não há qualquer registro da passagem do carro do ex-deputado em sete radares da região, segundo dados da Urbanização de Curitiba (Urbs) entregues aos peritos contratados pela família Yared.
Ontem o engenheiro Walter Kauffmann, que assina a perícia particular realizada nos dados do acidente esteve em Curitiba para rebater as críticas da Urbs ao trabalho. ''Se a Urbs diz que nossas conclusões são superficiais porque não temos acesso a todos os dados é porque eles não nos entregaram'', defendeu.
Até o momento, o que se sabe é que Carli Filho jantou no restaurante Edvino, que fica na alameda Presidente Taunay, no Batel. Pouco depois da meia-noite, ele deixou o local e seguiu supostamente para o apartamento em que morava, que fica próximo ao lugar do acidente. A colisão aconteceu à 0h54, na esquina das ruas Paulo Gorski com a Ivo Zanlorenzi.
Vídeo
Ontem a família de Gilmar Yared divulgou um vídeo produzido por amigos do rapaz para pedir justiça. O clipe, em formato de propaganda televisiva, diz que Yared e o outro rapaz morto no acidente, Carlos Murilo de Almeida, foram vítimas de assassinato. E termina com a frase: a justiça é para todos. O vídeo
está sendo divulgado na internet pelo site Youtube.com.

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