Carli Filho renuncia ao cargo de deputado
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sexta-feira, 29 de maio de 2009
Karla Losse Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB) renunciou ontem ao mandato. Ele sofria um processo de cassação na Assembleia Legislativa por quebra de decoro parlamentar após ter se envolvido em um acidente que resultou na morte de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida no último dia 7 de maio. De acordo com a investigação, Carli Filho estaria embriagado e dirigia em alta velocidade no momento do acidente, além de estar com a carteira de motorista suspensa por excesso de multas.
Com a renúncia, Carli Filho perde o direito a foro privilegiado e o processo criminal a que responde, que era conduzido pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, passa a tramitar na justiça comum. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, o inquérito deverá ser agora conduzido pela Delegacia de Delitos de Trânsito e será depois encaminhado à Vara de Inquéritos.
O documento oficial pedindo a renúncia foi entregue no último dia para que o deputado apresentasse a defesa na sindicância aberta, a pedido da família das vítimas, pelo Corregedoria-geral e pela Mesa Executiva da Assembleia. O pedido de renúncia foi entregue ao presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), pelo advogado do deputado, Roberto Brzezinski, uma vez que Carli Filho segue internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
No documento, Carli Filho diz que o mesmo destino que lhe proporcionou a honra e alegria de ser parlamentar reservou-lhe ''a trágica surpresa'' de se envolver, ''sem minha vontade direta indireta, no acidente que causou a morte de duas pessoas, jovens como eu''. Ele também diz que deplora ''a fatalidade dessas perdas'' e transmite ''a todos os seus familiares e amigos o meu sentimento de solidariedade espiritual''. Ele afirmou ainda que irá aguardar o processo e julgamento ''sem prerrogativas funcionais ou privilégios de qualquer ordem para receber, como cidadão comum, a sentença que as circunstâncias do fato e a sensibilidade da Justiça determinarem''.
Em nota publicada pela Assembleia, Justus disse que lerá o documento de renúncia na sessão plenária desta segunda-feira. Ele reafirmou lamentar ''profundamente essa tragédia que levou as vidas de dois jovens e deixou marcas profundas e permanentes em três famílias, às quais ofereço, uma vez mais, a minha solidariedade pessoal e também a da instituição que presido''.
O corregedor-geral da Casa, deputado Luiz Accorsi (PSDB), informou que, com a renúncia, o processo fica extinto pela perda do objeto. Ele disse que, até o momento, o caso havia sido conduzido pela Assembleia sem qualquer tipo de demora ou protecionismo. ''A corregedoria tinha 30 dias para entregar o relatório e iria entregar com 15. Até devido ao clamor popular tomamos todas as medidas para agilizar o processo'', comentou.
De acordo com o presidente da Comissão de Ética, deputado Pedro Ivo (PT), se o processo de cassação tivesse sido iniciado dentro da Comissão não poderia ser interrompido, mesmo com a renúncia do deputado. Ivo explica que, se aberto, o processo poderia culminar, além da cassação do mandato, na perda dos direitos políticos de Carli Filho.
Segundo a assessoria de imprensa da AL, com a renúncia de Carli Filho, deve tomar posse o suplente do PSB, Wilson Quinteiro. O suplente que deveria assumir o cargo, eleito pela coligação em 2006, é Mário Roque, mas ele perderia o direito ao mandato por ter se transferido para o PMDB após as eleições.


