Carli Filho recebe alta; família de vítima pede indiciamento
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segunda-feira, 08 de junho de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A família de Gilmar Rafael Yared, morto em acidente que envolveu o ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho, protocolou ontem na Delegacia de Delitos de Trânsito um pedido de indiciamento formal do político. O inquérito do acidente completou um mês ontem sem que Carli Filho tenha sido ouvido. ''Sem ser indiciado ele (Carli Filho) é um homem livre. Pode inclusive sair do país'', declarou o advogado da família Yared, Elias Mattar Assad.
O Hospital Albert Einstein confirmou ontem, através de sua assessoria de imprensa, que o ex-parlamentar recebeu alta na manhã de sábado. A instituição não forneceu detalhes das condições médicas de Carli Filho, mas informou que os pacientes só recebem alta quando estão em boas condições de saúde.
Segundo a assessoria do deputado estadual Plauto Miró (PSDB), tio de Carli Filho, mesmo depois da alta o ex-deputado deve permanecer em São Paulo para continuar o tratamento de saúde. ''Com essa notícia da alta acho que hoje passa a ser a data-limite para que o ex-deputado se apresente à polícia. A partir de então, ele pode ser considerado foragido'', defendeu Assad.
Para o advogado, Carli Filho está apresentando ''atos incompatíveis com a vontade de se apresentar''. ''O natural seria o advogado dele negociar com o delegado a apresentação'', disse. Assad diz que o pedido de indiciamento é uma medida para ''assegurar o cumprimento da lei penal''.
O advogado evitou criticar o delegado Armando Braga, titular do inquérito do caso, que não estava na Delegacia de Trânsito para receber os pais de Rafael Yared, Gilmar e Cristiane Yared. ''Ele tem que responder à consciência dele'', declarou Assad. O delegado, que estaria numa reunião durante toda a tarde, atendeu dois telefonemas da FOLHA, mas se recusou a conversar com a reportagem.
Bastante irritada, Cristiane Yared declarou estar brava com a demora na conclusão do inquérito. ''As coisas precisam começar a acontecer. Não vamos deixar que isso acabe em pizza'', desabafou. E completou: ''Andar a 190km/h depois de beber não é uma fatalidade. Ele é adulto, sabe que não podia beber e dirigir''.
Além de pedir o indiciamento de Carli Filho, Assad também solicitou que o delegado informe quais laudos e depoimentos ainda precisam ser concluídos e anexados ao inquérito. ''Caso ele não se apresente também vamos pedir que seja declarada sua prisão preventiva'', adiantou.
Durante a tarde de ontem a reportagem da FOLHA tentou contatar familiares, assessores e o advogado de Carli Filho, Roberto Brzezinski. Ninguém foi encontrado.


