Curitiba - O ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB) foi indiciado ontem por homicídio doloso eventual pelo delegado de Delitos de Trânsito, Armando Braga. O político prestou depoimento em um apart-hotel, em São Paulo, e declarou que não lembra de nenhum acontecimento da noite do dia 7 de maio, quando se envolveu em um acidente que resultou na morte de dois jovens.
''Ele disse que só lembra de ter visitado o pai naquele dia e depois de ter acordado em um quarto branco e de ter sido informado que era uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva)'', contou o delegado. ''A perda da memória, segundo os médicos, é decorrente do acidente e da forte lesão na cabeça'', informou.
Segundo Braga, o ex-deputado apresentou dificuldade para falar durante o depoimento. ''Ele está com a fala lenta'', explicou. O ex-deputado, diz o delegado, deve ficar pelo menos mais dez dias em São Paulo por recomendação médica.
Durante o depoimento, Carli Filho declarou que não lembra de ter consumido bebida alcóolica na noite do acidente nem a velocidade em que estava no momento da batida. Depois do depoimento, Braga decidiu pelo indiciamento do ex-parlamentar por homicídio doloso por entender que Carli assumiu o risco ao dirigir embriagado.
A decisão tem base nas informações colhidas durante a investigação como o exame de dosagem alcóolica do sangue do ex-deputado que mostrou que ele havia consumido álcool no dia do acidente. Depoimentos de funcionários do restaurante Edvino, onde o ex-parlamentar jantou na noite do acidente, e dos bombeiros qe realizaram o atendimento logo após a colisão também corroboram a tese de que Carli Filho estaria alcoolizado.
O delegado não quis apontar uma data para conclusão do inquérito. ''Tenho mais 30 dias para concluir os trabalhos. Tenho que receber os laudos periciais e a reconstituição antes disso'', informou. O advogado de Carli Filho, Roberto Brzezinski, que acompanhou o depoimento, não quis comentar o indiciamento do político.
Para o advogado da família Gilmar Rafael Yared, que morreu no acidente, Elias Mattar Assad, o depoimento de Carli Filho foi ''uma forma de exercitar o direito de ficar em silêncio''. ''Creio que ele só vá lembrar só as coisas que interessam'', disse.
Assad acredita que a a ''amnésia'' do ex-deputado é uma ''estratégia suicida''. ''Ele se travestiu de vítima para renunciar ao mandato de deputado e agora usa esse artifício para ficar em silêncio'', declarou. ''Mas para nós isso (o depoimento) é bom porque não há mais nada segurando o inquérito'', completou.

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