Curitiba - Quase quatro meses depois de se envolver em um grave acidente que deixou duas pessoas mortas, o ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho foi denunciado ontem à Justiça por duplo homicídio qualificado com dolo eventual. Para os promotores de Justiça Danuza Nadal e Marcelo Balzer Correia, Carli Filho foi responsável pela morte de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida.
Segundo a denúncia, o ex-parlamentar dirigia embriagado e em alta velocidade (de 161 km/h e 173 km/h segundo laudo do Instituto de Criminalística), quando seu carro, um Volkswagen Passat preto, ''decolou'' a uma altura de quase um metro e atingiu o Honda Fit dirigido por Yared. Os promotores do caso entenderam que as vítimas não tiveram qualquer chance de evitar a colisão, por isso a denúncia por homicídio qualificado.
Carli Filho também foi denunciado por dirigir embriagado e violar a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação. No dia do acidente, ele estava com a carteira suspensa por ter mais de 120 pontos registrados no documento. A maior parte das multas do então deputado era por excesso de velocidade.
A denúncia contra Carli Filho foi entregue a 2 Vara de Delitos de Trânsito da capital. Por causa dos crimes que são imputados a ele, o juiz Carlos Henrique Licheski Klein determinou ontem o envio do processo para distribuição a uma das duas varas do Tribunal do Júri de Curitiba. O juiz, que ficar com caso, deverá intimar o acusado para que ele apresente sua defesa prévia. O magistrado então deverá decidir se aceita ou não a denúncia. Em caso positivo, uma audiência será marcada para que sejam ouvidas as testemunhas e as alegações finais de cada parte. Depois disso, o juiz poderá pronunciar o réu, determinando que o caso vá a julgamento por um júri popular.
Se condenado por todos os crimes apontados pelo MP, Carli Filho poderá ser submetido a pena de reclusão de 15 a 30 anos, segundo estimativa dos promotores. Por causa do crime de homicídio qualificado, o cumprimento da pena terá que ser em regime fechado e o réu só terá direito a progressão de regime a partir do cumprimento de 2/5 da pena.
Para o advogado Elias Mattar Assad, que representa a família de Gilmar Rafael Yared, trata-se de ''um mal justo para se pagar um mal injusto''. ''Ele assumiu o risco de matar ao dirigir em alta velocidade e embriagado. Ele não se preocupou nem como ele, quem dirá com outras pessoas'', disse.
O advogado do ex-deputado, Roberto Brzezinski, não foi encontrado para comentar o caso.

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