O presidente da Câmara de Londrina, Orlando Bonilha (PL), disse ontem que poderá submeter à análise da Mesa Executiva a permanência do procurador jurídico da casa, João dos Santos Gomes Filho, no cargo. A discussão foi fomentada porque Gomes defende o doleiro Alberto Youssef em crimes de evasão de divisas e de lavagem de dinheiro. Youssef também é citado em uma ação criminal de ter lavado R$ 120 mil desviados da prefeitura.
''Se tiver trazendo desgaste para a Câmara, vamos fazer uma avaliação. Nada compromete no momento. Independente dos clientes que ele tem, está no cargo e, enquanto estiver cumprindo com suas obrigações, não vejo problemas'', disse Bonilha. Apesar de Gomes ter comparecido somente uma vez à Câmara em horário e dias de sessão ordinária, desde o dia 18, quando se reiniciaram as sessões, Bonilha disse estar ''satisfeito''. ''Durante a semana, precisamos dos serviços do João à noite e ele nos atendeu. Conversei com ele e ele justificou que hoje (ontem) não compareceu à Câmara porque tinha que prestar assessoria a um de seus clientes. Mas ele me garantiu que logo após o Carnaval vai estar em todas as sessões de terça e quinta'', afirmou.
A Folha tentou entrar em contato com Gomes, mas os telefones celulares estavam desligados. A secretária do seu escritório informou que o advogado está em Cuiabá, atendendo João Arcanjo Ribeiro, o ''Comendador'', acusado de chefiar jogo-do-bicho, tráfico de drogas, contrabando de armas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.