Cardozo volta a insistir na tese de golpe contra Dilma
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quinta-feira, 05 de maio de 2016
Mariana Haubert, Leandro Colon e Débora Álvares<br>Folhapress 
Brasília - Ao defender a presidente Dilma Rousseff pela segunda vez na comissão especial que analisa o processo de impeachment no Senado, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, reafirmou ontem a tese de que o caso é um golpe mesmo que a petista tenha o direito de defesa garantido e disse que o relator, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), se "deixou levar pelo entusiasmo da paixão" e pelo "ânimo condenatório" na elaboração de seu parecer.
O ministro também questionou o desvio de poder do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quando decidiu dar início ao processo por, segundo ele, vingança. Durante uma hora, Cardozo rebateu os principais pontos do relatório de Anastasia e afirmou que o parecer não comprova que a presidente praticou atos que configurem crime de responsabilidade.
"O senhor diz que nunca viu golpe com direito de defesa? Eu já vi. Eu já vi injustiça com direito de defesa. Todos os julgamentos mais iníquos da humanidade, foram feitos com direito de defesa. Aliás, quando se quer esconder uma iniquidade, se dá o direito de defesa retórico onde as cartas já estão marcadas, onde o jogo já está definido, em que as pessoas já definiram o processo", disse Cardozo.
"Estou afirmando que, a se confirmar esse processo de impeachment, apesar do direito de defesa, nós temos um golpe. O direito de defesa em si não justifica tudo, especialmente quando ele não é substantivo e as pessoas passam a não considerar mais a racionalidade dos fatos", completou o ministro.
Para Cardozo, que chegou a elogiar o relatório de Anastasia por ele não ter incluído em sua análise questões externas ao que foi denunciado, como as investigações da Operação Lava Jato, o tucano fez um parecer pela abertura do processo por ser do mesmo partido de um dos autores da denúncia, Miguel Reale Jr. "Vossa Excelência, com todo o conhecimento, mas pela paixão, pelo ânimo condenatório, tenta construir situações para justificar o que, com a devida vênia, não se justifica", disse.
Anastasia apontou em seu parecer, apresentado na quarta que há elementos suficientes para que o processo seja aberto e petista julgada por crime de responsabilidade. Dilma é acusada de editar, em 2015, decretos de créditos suplementares e de usar dinheiro de bancos federais em programas do Tesouro, as chamadas "pedaladas fiscais".
Cardozo defendeu ainda que o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), determinado ontem pelo Supremo Tribunal Federal comprova a nulidade do processo. Ele acusou o peemedebista de ter aceito a abertura do processo de impeachment por vingança.
VOTAÇÃO
A expectativa de integrantes da Comissão Especial de Impeachment no Senado é de que a votação desta sexta, que decidirá sobre a admissibilidade do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff esteja concluída por volta das 15 horas. A abertura da sessão que irá votar o parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), relator do processo, está marcada para as 10 horas. Na sessão de hoje, apenas os 23 líderes de partidos e blocos partidários terão o direito à palavra, num intervalo de 10 minutos. Ao final, os 21 senadores da comissão apresentarão o seu voto aberta e individualmente. Se for aprovado na comissão, o processo vai a votação no plenário do Senado na próxima quarta-feira. (Colaborou Ricardo Brito/Agência Estado)


