De um laptop, o presidente Fernando Henrique estará recebendo, no Palácio da Alvorada, a partir dos primeiros minutos da apuração de votos, que se inicia às 17 horas de amanhã, nas 307 mil sessões do País, simulações do resultado a cada 15 minutos. O comitê central montou um sofistificado esquema de apuração paralela, envolvendo 750 mil fiscais, para que FHC tenha a projeção do resultado final duas horas depois do fim da votação.
O comitê de FHC vai trabalhar com uma amostra de dados pequena, mas que, na avaliação dos assessores, garantirá uma segurança grande no resultado apurado. Foram selecionados 100 municípios com eleições em urnas eletrônicas, que servirão de referência para um resultado de qualidade, uma vez que são heterogêneos. A mesma amostra foi usada durante a campanha, pelo especialista em pesquisas do comitê, Antônio Lavareda, e, em 1994, previu a vitória de FHC no primeiro turno, com 1% dos votos apurados.
No resultado final, errou por apenas 0,1%. O esquema montado em Brasília inclui 47 atendentes por telefone - que poderão receber 1,2 mil ligações por hora - 10 linhas de fax e o e-mail do candidato na Internet. Este aparato será acessado pelos fiscais de FHC e aliados espalhados no País, ininterruptamente, o que leva os assessores do presidente a esperar a projeção de 3% dos votos apurados, por volta das 19 horas. ‘‘Estamos com capacidade para receber informações de 3 mil boletins a cada hora’’, disse o coordenador de informática do comitê, Paulo Milet.
O mesmo sistema de informática montado pela equipe de um dos coordenadores do comitê, Egydio Bianchi, para munir FHC de dados constantes sobre a apuração foi usado em outra eleição, na qual o presidente foi derrotado. Na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 1986, FHC sabia da derrota quando a apuração paralela do comitê apontava 1% dos votos totais.
Deste momento em diante, a linha indicando o baixo desempenho do candidato não se alterou mais. A equipe do comitê de Fernando Henrique estará dividida no recebimento dos números da apuração e de denúncias, repassados pelos fiscais.
Essa mesma turma foi usada, durante a campanha, para receber 170 mil ligações de eleitores de FHC e outros, pela central de atendimento por telefone. O sistema recebeu 325 ligações, desde o início do programa eleitoral.
Mas foram os dias mais cruciais para Fernando Henrique no governo, durante esta campanha, que apontaram os maiores picos de acesso de eleitores à central de atendimento do comitê e ao site do candidato na Internet. No dia em que o presidente admitiu, num discurso no Itamaraty, que poderia aumentar impostos, o telemarketing teve o pico de ligações: 15 mil. Na quinta-feira em que FHC prometia não aumentar mais as taxas de juros e o Banco Central (BC) elevava o índice para 49,75%, horas depois, as ligações também tiveram pico.

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