Cardoso terá privilégios na disputa
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sábado, 21 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
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ReservaApolinário: percentual de 20% das vagas para as mulheres será mantido na lei eleitoral O presidente Fernando Henrique Cardoso poderá ser proibido de participar de inauguração de obras durante o período da campanha política no próximo ano. A medida valerá também para os candidatos a governador e a prefeito que disputam a reeleição, afirmou o relator da lei eleitoral de 1998, deputado Carlos Apolinário (PMDB-SP). Se a proposta for aprovada, o presidente terá de se fazer representar pelo ministro da área; os governadores e prefeitos pelos secretários. A lei eleitoral de 98 tem de ser aprovada pelo Congresso até 3 de outubro.
Está decidido também que dos candidatos à reeleição, só o presidente Fernando Henrique Cardoso poderá utilizar aeronaves e bens públicos, como carros e helicópteros. O privilégio será proibido para os governadores e prefeitos. Concluí que é impossível fazer o controle de tantos candidatos, disse o relator da lei eleitoral de 1998, deputado Carlos Apolinário (PMDB-SP), que voltou atrás na idéia de dar liberdade de uso da máquina para todo mundo.
O recuo de Carlos Apolinário deveu-se aos recentes debates com outros parlamentares, com políticos e com juristas. Todos disseram que a fiscalização seria impossível. O presidente da República poderá fazer a campanha utilizando aeronaves públicas porque ele não é um candidato comum; é, ao mesmo tempo, candidato e presidente da República, afirmou o relator. Por ser um, apenas, a fiscalização contra abusos será fácil. O PSDB, partido de Fernando Henrique, deverá pagar as despesas com o uso da máquina.
O projeto da lei eleitoral para 98 está sendo acompanhado de perto pelas lideranças políticas de todos os partidos e por juristas. Os aliados do presidente querem aprovar uma lei que não imponha muitas restrições à campanha, mas que também defina regras claras para evitar excesso de ações na Justiça. Este também é o temor dos corregedores eleitorais.
Com o propósito de influir e sugerir pontos para o anteprojeto do relator, o vice-presidente Marco Maciel reuniu as cúpulas do PFL e do PSDB com Carlos Apolinário na noite de terça-feira. Os presentes ao encontro - os líderes do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) e no Senado, Élcio Alvares, e o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado - não falaram sobre a conversa. Depois do encontro no Palácio Jaburu, o relator promoveu diversas mudanças no texto.
Carlos Apolinário quer votar o relatório da lei eleitoral do ano que vem na primeira semana de agosto. A convocação extraordinária do Congresso foi benéfica porque nos deu mais tempo para trabalhar, afirmou ele. Posso, agora, continuar ouvindo juristas e especialistas e aprofundar mais nos debates, afirmou ele. Nesta semana Apolinário deverá ter um encontro com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ilmar Galvão, para trocar idéias sobre fiscalização e gastos de campanha.
Outra mudança feita pelo relator em relação ao primeiro esboço de projeto é quanto à duração da campanha. Ele havia pensado em 90 dias, mas foi convencido de que é tempo longo demais. Passou a defender 60 dias, mas o PFL insiste em reduzir o tempo para apenas um mês. É possível que Apolinário opte por 45 dias de campanha. A Internet, a rede mundial de computadores, deverá ser enquadrada nas regras da legislação eleitoral. Não tem sentido liberar a Internet, porque propaganda é propaganda, afirmou ele.
O relator disse que um dos grandes problemas que está encontrando pela frente é a forma de fazer a norma para o programa eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Temos de pensar em uma forma atrativa, para que o público não desligue os aparelhos quando a propaganda começar. Segundo ele, o programa deve ser feito de forma a ter audiência. Não quero fazer nem menos nem mais do que o necessário.
O financiamento de campanha deverá seguir as regras da eleição anterior, para vereador e prefeito: até 10% dos vencimentos do ano anterior da pessoa física e até 2% do faturamento bruto das empresas, também no exercício passado. Quando à divulgação de pesquisas, o relator é pela liberação total. Mas ele já sentiu no Congresso uma grande aversão a elas. Tem gente que quer fazer como na França, com proibição de pesquisas 15 dias antes da eleição, mas pessoalmente não vejo problema nenhum na divulgação livre, afirmou o relator.
Deverá ser exigido um ano de prazo para a mudança de partido e a transferência do domicílio eleitoral. As coligações serão totalmente abertas, para os cargos majoritários e proporcionais. Sei que muita gente no Congresso não concorda com isto, mas acho que ou se permite ou não se permite a coligação, disse. Ficar pela metade não é bom; é necessário dar um plus (passo a mais) nesta questão.
A pedido das deputadas será mantida a garantia - que vigorou na eleição municipal - de 20% das vagas dos cargos proporcionais para as mulheres. Mas Carlos Apolinário vai fazer um texto que omitirá o termo mulher. Será escrito que o partido terá de preencher 20% das vagas com um sexo e 80% com outro. Se um dia as mulheres forem maioria total na política, os homens é que terão as 20% de vagas, disse ele.
Já está decidido que o partido poderá apresentar 20% a mais de candidatos sobre o número de vagas. No caso de São Paulo, que tem 70 deputados federais, cada partido terá direito a 84 candidatos. No caso de coligação, o direito às vagas será de 50% a mais, não importando o número de partidos. Em São Paulo a coligação terá direito a 105 candidatos.


