Arquivo FolhaTrês em umFernando Henrique: ‘‘A intenção é governar, trabalhar, ser presidente da República’’ Na campanha pela reeleição, o presidente Fernando Henrique Cardoso não poderá contar oficialmente com a mesma equipe que o acompanhou em 1994. Os principais integrantes do comitê eleitoral tucano na eleição passada são hoje ministros - como Sérgio Motta, das Comunicações, e Paulo Renato Souza, da Educação - e devem permanecer no Ministério até o final do atual governo. O terceiro homem forte do QG tucano de quatro anos atrás, Eduardo Jorge Caldas, é o atual secretário-geral da Presidência. Ele é uma das opções que Fernando Henrique dispõe quando tiver de escolher o coordenador da campanha eleitoral deste ano.
Mas a impossibilidade de os antigos assessores fortes de campanha dedicarem-se em tempo integral à disputa pelo segundo mandato não está no centro das preocupações do candidato Fernando Henrique. Nem do presidente Fernando Henrique: ‘‘A intenção é governar, trabalhar, ser presidente da República’’, diz um assessor do Planalto: ‘‘É o que o povo quer’’. O auxiliar também lembra que até junho, prazo para registro oficial das candidaturas, nada impede o presidente de continuar viajando pelo País, como vem fazendo desde o início do governo _ são 117 viagens nacionais desde a posse em 1º de janeiro de 1995.
Favorito nas pesquisas eleitorais, o presidente Fernando Henrique desfruta de uma posição confortável que lhe permite traçar, sem pressa, o roteiro ideal de uma segunda campanha eleitoral ao Palácio do Planalto. O script é simples: fazer uma campanha curta, ir a poucos comícios (para não se envolver nas disputas regionais dos partidos aliados), e permanecer em Brasília a maior parte do tempo. Uma campanha menor significa menos problemas com adversários e com a Justiça Eleitoral, e tem a vantagem de passar a imagem de que, embora candidato, o presidente não estará descuidando da missão de governar o País, para a qual foi eleito em 1994.
Os 45 dias de horário eleitoral gratuito, no rádio e na televisão, serão decisivos para a campanha de Fernando Henrique e dos demais adversários, porque é quando as mensagens dos candidatos chegam à massa de eleitores. Como esta é a primeira campanha na qual é permitida a reeleição, a diferença será no tom das mensagens: o presidente-candidato falará sobre como pretende continuar, se for eleito para um segundo mandato, as realizações da primeira gestão. Os candidatos adversários terão quatro anos de administração FHC para apontar falhas e sugerir alternativas de eventuais mudanças de rumo. Terão o que cobrar, como o péssimo resultado das contas públicas em 1997, quando o governo gastou quase R$ 6 bilhões a mais do que arrecadou.
O presidente-candidato à reeleição tem, também, trunfos a ostentar. Em 1994, foi eleito na esteira do Plano Real, lançado no mês de julho - três meses antes da eleição. Em julho de 1998, quando já será candidato oficial, Fernando Henrique terá completado quatro anos de estabilização da economia com os menores índices de inflação dos últimos 50 anos. Terá ainda a experiência do cargo para ajudá-lo a traduzir para uma linguagem simples, própria da campanha eleitoral pela televisão, como e porque o Real melhorou as condições de vida da população.

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