O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a cobrar ontem a aprovação da reforma administrativa. Em reunião com o relator da proposta, deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), FHC disse que os deputados que votarem contra a reforma passarão a ser considerados oposição ao governo. ‘‘(A votação da reforma na Câmara) é um marco divisor. Temos que dar nome aos bois. O presidente expressou que quem votar contra está na oposição’’, afirmou Moreira depois do encontro.
De acordo com Moreira Franco, o governo não vai mais negociar mudanças na reforma para facilitar sua aprovação no Congresso. ‘‘Na reforma da Previdência, ao invés de assumir o resultado, se preferiu aprovar a gelatina, o pântano’’, disse o relator. A reforma da Previdência, aprovada na Câmara, foi desfigurada na votação dos destaques.
‘‘O presidente está firmemente disposto a não aceitar que se produza um novo clone’’, afirmou Moreira, sobre a possibilidade de a reforma administrativa ter o mesmo destino da reforma da Previdência. ‘‘Só se faz reforma quando se combate privilégio, e isso não é fácil’’, completou o deputado.
De acordo com a avaliação do Planalto, os deputados da base governista contrários à proposta do emprego público temporário votaram contra o governo e não contra a proposta. ‘‘Fiz reuniões com todas as bancadas e nenhum deputado levantou problemas contra a proposta’’, disse Moreira Franco. Para Moreira, apesar da cobrança feita anteontem pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), a demora em nomear os novos ministros do PMDB não está entre os motivos que levaram o governo à derrota. Temer defendeu em entrevista a nomeação dos novos ministros, antes da votação da reforma administrativa.

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