Cardoso rejeita negociar mudanças
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Agência Folha De Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a cobrar ontem a aprovação da reforma administrativa. Em reunião com o relator da proposta, deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), FHC disse que os deputados que votarem contra a reforma passarão a ser considerados oposição ao governo. (A votação da reforma na Câmara) é um marco divisor. Temos que dar nome aos bois. O presidente expressou que quem votar contra está na oposição, afirmou Moreira depois do encontro.
De acordo com Moreira Franco, o governo não vai mais negociar mudanças na reforma para facilitar sua aprovação no Congresso. Na reforma da Previdência, ao invés de assumir o resultado, se preferiu aprovar a gelatina, o pântano, disse o relator. A reforma da Previdência, aprovada na Câmara, foi desfigurada na votação dos destaques.
O presidente está firmemente disposto a não aceitar que se produza um novo clone, afirmou Moreira, sobre a possibilidade de a reforma administrativa ter o mesmo destino da reforma da Previdência. Só se faz reforma quando se combate privilégio, e isso não é fácil, completou o deputado.
De acordo com a avaliação do Planalto, os deputados da base governista contrários à proposta do emprego público temporário votaram contra o governo e não contra a proposta. Fiz reuniões com todas as bancadas e nenhum deputado levantou problemas contra a proposta, disse Moreira Franco. Para Moreira, apesar da cobrança feita anteontem pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), a demora em nomear os novos ministros do PMDB não está entre os motivos que levaram o governo à derrota. Temer defendeu em entrevista a nomeação dos novos ministros, antes da votação da reforma administrativa.


