Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
ForçaFHC e Eduardo Frei: união para conter a pressa dos Estados Unidos em criar a AlcaO presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que a liderança mundial dos Estados Unidos deve ser algo ‘‘compartilhado’’, não ‘‘hegemônico’’, em discurso no qual atacou o protecionismo comercial norte-americano e explicitou a pretensão brasileira de obter apoios na América do Sul para uma voz mais ativa nas relações mundiais. ‘‘Depois da queda do Muro de Berlim, a predominância de um país é óbvia. Não se sabe se essa predominância vai ser hegemônica ou algo mais compartilhado, que é o que interessa a todos nós.’’ FHC discursou para uma platéia da empresários brasileiros e chilenos, no Hotel Carrera, em Santiago. Aproveitou para pedir o apoio do Chile à posição brasileira sobre a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que os Estados Unidos querem apressar. ‘‘Sabemos, como vocês, o que custa o protecionismo americano a nós. Vocês têm sua lista: salmão, madeira e não sei o que mais; nós também temos: aço, suco de laranja e por aí vai.’’
A posição do Mercosul - bloco que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - é de maior cautela nas negociações para a implementação da Alca, prevista para 2005. O Mercosul, ao qual o Chile se associou há um ano, teme uma excessiva exposição de sua economia à concorrência com produtores mais poderosos.
Pela argumentação desenvolvida por FHC, não se trata de questionar os princípios gerais da formação de um bloco de livre comércio continental -‘‘com os quais estamos de acordo desde que nascemos’’. O importante, disse, é saber os efeitos práticos dessa integração. ‘‘Não vamos nos integrar simplesmente pela alegria de termos tarifas (de importação) comuns.’’
FHC foi aplaudido pela platéia ao defender, em tom de discurso político, que ‘‘a integração tem que ser vista do ângulo do bem-estar do nosso povo’’. A Alca, disse, não substituirá o Mercosul - os dois blocos serão desenvolvidos em conjunto. A integração americana deverá ser feita ‘‘sem exclusão de país ou segmento da sociedade’’. As afirmações de FHC foram feitas a 12 dias da chegada do presidente norte-americano, Bill Clinton, ao Brasil.

mockup