No almoço de comemoração dos três anos do real, o presidente Fernando Henrique Cardoso ouviu críticas ao aumento das tarifas públicas, ao sistema de saúde e às dificuldades para liberação dos recursos do Programa de Agricultura Familiar (Pronaf). Os 12 convidados - agentes de saúde e educação, trabalhadores rurais e uma dona de casa - foram selecionados pelo Palácio do Planalto para mostrar que o real teve um efeito positivo na vida de pessoas comuns.
A primeira queixa foi apresentada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bataiporã (MS), José Miguel dos Santos. Ele reclamou do atraso na liberação de verbas do governo, principalmente para o Programa de Agricultura Familiar. O plantador de café Alcino Rodrigues Soares, de Minas Gerais, também reclamou do Pronaf e entregou uma pauta de reivindicações a Fernando Henrique. ‘‘Não sei falar’’, justificou.
A dona de casa gaúcha Edy Maria Mussoi foi a que mais reclamou. ‘‘Estamos satisfeitas com a estabilidade, com o fim das maquininhas registradoras, mas estamos descontentes com o aumento das tarifas públicas, principalmente dos telefones, que quase triplicaram e também porque a Telebrás não quer mais dar as ações para quem compra uma linha e sim o dinheiro’’, enumerou. ‘‘Mas isto não está resolvido’’, rebateu o presidente, após acrescentar que, segundo o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, ‘‘tem muito especulador no mercado’’ e por isso a questão está sendo discutida.

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