Agência Estado
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PropagandaFernando Henrique e os ministros: reunião rápida e exigência de melhor divulgação sobre as conquistas do governoO presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem aos ministros que não quer seu governo contaminado pelo clima de fim de mandato. ‘‘Estamos a 18 meses da eleição, mas é fundamental continuar governando’’, disse o presidente, ao recomendar a todos que divulguem as obras do governo. O recado foi especialmente claro para os ministros políticos. ‘‘Vamos falar no que estamos fazendo e não no que vamos fazer’’, recomendou Fernando Henrique. ‘‘A determinação vale como uma espécie de é proibido prometer’’, interpretou um dos ministros políticos que aguarda instruções do chefe para a desincompatibilização em dezembro.
Foi um encontro ‘‘rápido e objetivo’’ segundo seus participantes. ‘‘Em exatas duas horas e 15 minutos, havíamos liquidado a pauta’’, contou um ministro. O presidente abriu a reunião com uma fala de 25 minutos. Quem usou mais tempo foi o ministro do Planejamento, Antônio Kandir.
Kandir fez uma exposição de 40 minutos sobre o que considerou elementos fundamentais do Orçamento. Detalhou todos os esforços gerenciais do governo para se ter um Orçamento cada vez mais ‘‘real’’ e para pôr em ordem as contas públicas. Mencionou a inflação decrescente, a regularidade na liberação de verbas e a redução do custo dos projetos governamentais.
Tudo isto para dizer que o ‘‘avanço’’ do governo esbarra na falta de duas reformas estruturais: a administrativa e a previdenciária. Kandir defendeu que as duas reformas entrem logo na pauta de votações, e justificou com mais um recado aos políticos: ‘‘Quem for contra será cobrado, porque temos pesquisas mostrando que 74% da população apóia as reformas’’.
O líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), aproveitou para pedir ‘‘o empenho grande de todos’’. O líder lembrou que a reforma administrativa ainda precisa ser aprovada em segundo turno pelos deputados, e advertiu que não será tarefa fácil. Afinal, no primeiro turno de votação, a emenda obteve apenas um voto além dos 308 mínimos necessários.
A exposição de Kandir acabou patrocinando um dos momentos mais descontraídos do encontro. Mal começou a projetar transparências com gráficos sobre o desempenho da economia, o ministro dos Esportes, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, reclamou: ‘‘Não estou enxergando direito.’ Seu colega do Meio Ambiente, Gustavo Krause, não resistiu. ‘‘O João Saldanha já dizia isso’’, brincou Krause, referindo-se às críticas do ex-técnico da seleção brasileira de futebol à visão de Pelé. Em meio à gargalhada geral, Pelé se defendeu: ‘‘Mas isso foi há 25 anos.’
Depois de Kandir, foi a vez do ministro da Fazenda, Pedro Malan, falar sobre a condução da economia. ‘‘Nem sei o que é neoliberalismo’’, disse o ministro, em resposta aos críticos da área econômica. Malan disse procurar as soluções que considera mais corretas e emendou: ‘‘Qualquer incompetente põe o País para crescer a taxas de 10% ao ano; o que nós estamos perseguindo é o crescimento sustentado.’

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