Cardoso quer fim do protecionismo
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domingo, 09 de fevereiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
Arquivo FolhaO viajanteCardoso, em sua 28ª viagem ao Exterior: abrindo mercadosNo encontro que terá amanhã com o primeiro-ministro britânico, John Major, o presidente Fernando Henrique Cardoso vai tentar conquistar um aliado na luta contra as barreiras aos produtos brasileiros na União Européia (UE). A conversa com Major é um um dos pontos altos da visita à Inglaterra, Itália e Vaticano, que começa oficialmente amanhã.
Na Itália, o presidente deverá repetir ao primeiro-ministro Romano Prodi o interesse de ter o país como aliado nestes casos de barreira comercial. Segundo estimativa do governo, estas dificuldades impostas pela UE e pelos Estados Unidos provocam prejuízo anual de US$ 6 bilhões, o suficiente para cobrir o déficit comercial de US$ 5,5 bilhões registrado pelo Brasil em 1996.
A passagem por Londres será rápida. Além do encontro de trabalho e almoço com John Major, Fernando Henrique fará palestra para empresários e investidores britânicos na conferência Link to Latin America, promovida pelo governo inglês. Antes do almoço com o primeiro-ministro, o presidente vai receber o líder da oposição trabalhista, Tony Blair. À tarde, conversa com o líder do Partido Liberal Democrata, Paddy Ashdow, e poderá receber também, na embaixada brasileira em Londres, o chairman da RTZ, empresa mineradora inglesa que tem investimentos no Brasil.
Depois Fernando Henrique embarcará para Roma, onde a programação oficial começa na terça-feira. A visita à Itália é de chefe de Estado, em retribuição à visita do presidente italiano Oscar Luigi Scalfaro, em junho de 1995. Ainda na terça-feira Fernando Henrique fará palestra de encerramento do seminário sobre parcerias para investimentos Brasil-Itália, promovida pela Cofindustria, a confederação nacional das indústrias italiana.
O seminário terá palestras do vice-presidente do BNDES, José Pio Borges (privatizações); do presidente do Sebrae, José Pio Guerra, e do diretor Mauro Durante (perspectivas de investimentos no Brasil para pequenas empresas italianas); do presidente da CESP, Andrea Matarazzo (privatização do setor elétrico em São Paulo) e do secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Aílton Barcellos (oportunidade de investimentos em fruticultura irrigada no Brasil). Os presidentes da Parlamat e da Pirelli no Brasil também farão exposições.
Fernando Henrique vai encontrar-se com os presidentes da Câmara, Luciano Violante, e do Senado, Nicola Mancini, e fará uma visita protocolar ao prefeito de Roma, Francesco Rutelli. Na quarta-feira será o encontro com o primeiro-ministro Romano Prodi. Na quinta-feira Fernando Henrique fará uma palestra na FAO, sobre agricultura no Brasil e a política fundiária. À tarde, vai a Bolonha receber o título de doutor honoris causa pela Universidade de Bolonha.
Na sexta-feira o presidente fará a primeira visita oficial de um chefe de Estado ao Vaticano, embora o Brasil mantenha relações com o Vaticano há 170 anos, e seja o maior país católico do mundo (118 milhões de católicos). O papa João Paulo II virá ao Brasil em outubro, para a Conferência Mundial da Família. O presidente e o papa terão um encontro de 30 minutos a sós, na biblioteca do Vaticano.
A agenda, segundo o Itamaraty, está em aberto, mas será importante para o aprofundamento do diálogo com a Igreja e para o presidente ressaltar a melhoria em questões que suscitaram problemas com a Igreja no passado, como a dos direitos humanos e a questão agrária. Fernando Henrique encontra-se, também, com o secretário-geral da Santa Sé, cardeal Angelo Sodano. O presidente volta ao Brasil na sexta-feira à tarde.
A primeira-dama Ruth Cardoso acompanha o presidente na viagem à Inglaterra, Itália e Vaticano. A comitiva presidencial é integrada pelos ministros das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, da Justiça, Nelson Jobim, da Agricultura, Arlindo Porto, e pelos chefes da Casa Civil, Clóvis Carvalho, e da Casa Militar, general Alberto Cardoso. Os deputados Rodrigues Palma (PTB-MT) e Luciano Pizzato (PFL-PR) também viajam com o presidente.


