O presidente Fernando Henrique Cardoso tentou ontem reduzir o impacto da crise entre o PSDB e o PFL ao afirmar que quer uma aliança mais ampla que inclua os mais variados partidos para as próximas eleições. ‘‘Eu quero A mais B mais C mais D e até o infinito, se puder’’, declarou. Fernando Henrique negou mais uma vez ter feito acordo com o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf para facilitar a sua candidatura ao governo do Estado, em detrimento do atual governador, Mário Covas (PSDB). ‘‘Não fiz acordo nenhum e isso não é pergunta que se faça a um presidente da República’’, respondeu. O presidente jantou com Maluf, no Palácio da Alvorada, na segunda-feira, o que irritou os tucanos, sobretudo a bancada federal paulista.
‘‘Isso tudo é onda’’, desconversou Fernando Henrique, depois de avisar que ninguém vai intrigá-lo com o governador Mário Covas. ‘‘Isso é impossível, é impensável. Estão procurando pêlo em cabeça (sic) de ovo’’, acrescentou. Ele lembrou que o PSDB tem sete ou oito ministros, vários governadores e o presidente da República. ‘‘Temos no PSDB uma unidade firmada em anos e a disposição de mudar o Brasil’’, disse. ‘‘Os partidos têm que ter sensibilidade e o PSDB tem.’’
Fernando Henrique, que esteve em Assunção participando da reunião de cúpula do Mercosul, desconversou ao ser indagado com que plataforma se reelegeria, já o real foi sua grande bandeira na eleição de 1994. ‘‘Primeiro, não sou candidato e isso depende de muitas coisas, e as eleições estão muito longe’’, declarou. Para ele, ‘‘quem começa a pensar nas eleições o tempo todo, perde’’. Fernando Henrique disse não saber ainda ‘‘como será daqui a um ano’’, embora ache que ‘‘as coisas vão melhorar’’. Na hipótese de se candidatar, ele comentou que precisará ter um programa que resolva as questões que se apresentarem no momento da campanha eleitoral.
PSDB Tucanos reunidos ontem no Rio tentaram amenizar a crise governo-PSDB provocada pelo encontro do presidente Fernando Henrique Cardoso com o ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PPB). O governador do Ceará, Tasso Jereissati, disse que houve apenas um ‘‘mal-entendido’’, mas a situação está regularizada. Ele, o governador do Rio, Marcello Alencar, e o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, repetiram que a intenção do presidente é garantir o apoio da bancada do PPB às reformas constitucionais.
PPB Lideranças do PPB paulista querem que o ex-prefeito Paulo Maluf saia candidato à Presidência e não ao governo de São Paulo. ‘‘Ele tem um contingente eleitoral forte e é conhecido no País inteiro’’, disse um membro da Executiva estadual do partido. Na avaliação desses pepebistas, o quadro geral das candidaturas poderia abrir o caminho do Palácio do Planalto a Maluf.
A candidatura à Presidência, no entanto, dependeria do desgaste do presidente Fernando Henrique Cardoso e da transferência de votos de eleitores do PSDB para o PT. ‘‘No eleitorado tucano existe muita insatisfação com o desemprego e as privatizações’’, analisou um pepebista de São Paulo. ‘‘Pessoalmente, acho que Maluf tem chances’’, afirmou o ex-deputado Auro Fraga, membro da executiva.
Tuma A Executiva Nacional do PFL lançou ontem a candidatura do senador Romeu Tuma (PFL-SP) ao governo de São Paulo. Os dirigentes pefelistas decidiram se antecipar à definição da regional paulista para tentar encerrar os boatos de uma aliança com o PPB do ex-prefeito Paulo Maluf, com o objetivo de derrotar o governador tucano Mário Covas na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes em 1998.

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