Cardoso pede neutralidade ao Planalto
Arquivo FolhaEnroscoNewton Cardoso: pedido de neutralidade em Minas é mais um nó que FHC terá de desatar Disposto a afastar qualquer possibilidade de ter o ex-presidente Itamar Franco como adversário em Minas Gerais, o prefeito de Contagem, Newton Cardoso (PMDB), esteve ontem com o presidente Fernando Henrique Cardoso para anunciar que é candidato ao governo do seu Estado. Acabou provocando uma confusão política. Assim que o prefeito deixou o gabinete presidencial, Fernando Henrique ligou para o governador tucano de Minas, Eduardo Azeredo, e para o ex-presidente Itamar, dando sua própria versão da conversa. A sucessão em Minas preocupam o governo, interessado em uma difícil composição local que mantenha Itamar Franco afastado da disputa presidencial.
O porta-voz Sergio Amaral disse que FHC havia antecipado ao prefeito que esclareceria estes pontos (da conversa) com o governador Azeredo e o ex-presidente Itamar. O presidente quer que com todas as partes, que são partes legítimas nesse processo, estejam cientes da posição do presidente e do teor da conversa, argumentou.
A versão de Newton Cardoso era diferente. Ao deixar o Planalto, o prefeito de Contagem disse aos jornalistas que Fernando Henrique ficaria neutro na disputa em Minas e que não iria interferir a favor da reeleição de Azeredo. O presidente não irá a Minas, garantiu o prefeito. Ele prometeu isso, várias vezes, a todos os diretórios do partido. O porta-voz não confirmou a decisão: O presidente não mencionou isto e não acredito que ele tenha tomado decisão sobre o que fará dentro de quase seis meses.
Amaral contou que Fernando Henrique e Newton Cardoso, além de assuntos municipais, conversaram sobre a convenção do PMDB, marcada para o próximo dia 8. Para o presidente a convenção é livre para tomar o caminho que desejar. Se ela resolver que o PMDB deve ter um candidato próprio e se este candidato for o presidente Itamar, o presidente acha que está muito bem, disse Amaral. Se decidir por não ter candidato próprio, o presidente espera que o PMDB se associe às forças que compõem a base do governo.





