Cardoso não confirma debate com Lula
Cardoso não confirma debate com Lula
Presidente diz que povo não vai escolher um candidato porque ele gritou mais ou menos, mas sim quem tiver melhor proposta
Agência Estado
France-PresseAliadosCardoso e Antonio Guterrez: aliança estratégica com PortugalO presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem, ao desembarcar em Lisboa para a última etapa da viagem de uma semana à Europa, que o povo não vai escolher (um candidato) porque ele gritou mais ou menos. O aviso é uma resposta à oposição, que começa a realizar protestos em todo o País. Vai escolher se tiver mais ou menos confiança no rumo do País, afirmou o presidente. Fernando Henrique não confirmou se aceitava o desafio lançado pelo pré-candidato do PT e presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, para um debate sobre as plataformas de governo, e disse que ele (Lula) é que tem de apresentar (propostas).
Fernando Henrique falou mais uma vez do programa de governo, da importância que o País ganhou hoje no mundo e disse: O programa não é meu, é do País. O presidente lembrou que está fazendo as reformas e os resultados são vistos. Acrescentou ainda que não vai se licenciar do cargo para disputar as eleições de outubro porque o Brasil tem de se habituar com a reeleição.
Depois de Fernando Henrique atacar o pré-candidato do PT, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, anteontem, frisando que Lula não tem programa de governo, o candidato petista chamou-o para um debate para mostrar ao País quem tem mais projetos. Isso, nós vamos ver mais adiante, desdenhou o presidente, ao ser indagado se aceitaria o debate. O presidente ressaltou a importância do projeto do governo e apresentou dados sobre esse valor que é atribuído ao País, no momento. Vocês precisavam ter visto como foi a reunião da OMC (Organização Mundial de Comércio, realizada em Genebra, terça-feira), quando se mostrou a força que o Brasil tem hoje, comemorou. Em seguida, considerou: O meu programa é esse; o resto não pertence a mim e ele (Lula) é que tem de apresentar (suas propostas).
O presidente descartou a possibilidade de afastar-se do cargo para participar da campanha, como gostaria a oposição. Não houve tal cogitação e não se vê necessidade nisso, garantiu, acrescentando que o País tem de se habituar com a reeleição. Imagine se o presidente dos Estados Unidos fosse se licenciar para ser candidato, ou se (o presidente da) Argentina, comentou, acentuando que isso não tem sentido. Na opinião do presidente, essas questões têm de ser encaradas com naturalidade democrática, e, para exercer a Presidência, não se pode misturar os papéis.
Enquanto se exerce a Presidência, não se faz campanha, e campanha, no mundo de hoje, aquele que exerce a Presidência deve fazê-la com muita moderação também, declarou o presidente.
As declarações de Fernando Henrique foram dadas pela manhã, logo que desembarcou no Aeroporto de Lisboa, para uma visita de três dias, cujo ponto alto, a inauguração da Expo 98 acontecerá hoje à tarde. O tema central da exposição será Os oceanos, um patrimônio para o futuro.
O presidente e o primeiro-ministro de Portugal, Antonio Guterres, almoçaram juntos no Palácio São Bento. À tarde, Fernando Henrique descansou na Embaixada do Brasil em Lisboa, onde está hospedado, que fica em Restelo, a 15 quilômetros da capital. Depois do almoço, os dois passearam pelos jardins do palácio. Fernando Henrique e Guterres, então, fizeram breves pronunciamentos protocolares.
O primeiro-ministro classificou como aliança estratégica as relações entre os dois países. O presidente, lembrou que os dois têm pontos de vista e de políticas coincidentes. Não temos hoje nada que nos separe, garantiu ele, após reconhecer o esforço de investimento que Portugal está fazendo no País. Isso é muito importante para nós, concluiu.





