Cardoso monta em cavalo e elogia políticos do Norte
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sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Agência Estado e Sucursal Petrolina e Foz do Iguaçu 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Montado a cavalo, FHC sorri ao ser observado por vaqueirosA caminho da disputa pela reeleição, o presidente Fernando Henrique Cardoso montou ontem no cavalo Pampa, do vaqueiro Gilberto Geraldo de Amorim, que foi saudá-lo, com outros 15 companheiros, na solenidade de inauguração do projeto de irrigação Maria Tereza, a 25 quilômetros de Petrolina. O presidente disse a Gilberto Amorim que também tem roupa de vaqueiro, mas não anda a cavalo porque tem problema de coluna.
Ao inaugurar o projeto, o presidente fez um dos três discursos da visita de pouco mais de quatro horas a Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). Atencioso, fez a política da boa vizinhança, chamando o governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), de meu amigo, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) de meu companheiro, e o governador da Bahia, Paulo Souto (PFL), de exemplo de administração que está transformando uma realidade.
Já ao desembarcar no aeroporto, Fernando Henrique demonstrava animação. Destacou seu empenho para melhorar a situação da região do semi-árido nordestino, dizendo que mandou ampliar o aeroporto de Petrolina, de onde as frutas são exportadas. Quando estava sobrevoando, vi esta coisa fantástica que é transformar o sertão brabo numa região produtiva, afirmou.
Apitaço Com apitaço, palavrões e cartões vermelhos nas mãos, cerca de 50 funcionários públicos estaduais e integrantes do Movimento de Luta pela Terra (MLT) protestaram ontem contra a política dos governos federal e estadual, durante a visita do presidente Fernando Henrique Cardoso à Feira Nacional de Agricultura Irrigada (Fenagri), em Juazeiro do Norte (BA).
A manifestação ocorreu três horas depois de o presidente ter afirmado, em discurso, no município vizinho de Petrolina (PE), que para se fazer um país sem miseráveis é preciso um Brasil da construção e não somente um Brasil de protesto. Ali, ele inaugurou o Projeto Maria Tereza, que amplia em 5 mil hectares (5 milhões de metros quadrados) a área irrigada de Petrolina. Sem muito investimento, não se avança, frisou o presidente, ao pregar uma aliança entre o governo e a sociedade para que os miseráveis não sejam repelidos, mas incluídos. O futuro do País depende da inclusão dos milhões que não tiveram sequer a possibilidade de sonhar, disse.
Jogos da Natureza O presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Jaime Lerner (PFL) vão enfrentar hoje, em Foz do Iguaçu, o protesto dos excluídos que, segundo os organizadores, deverá reunir cerca de 4.000 pessoas. A manifestação será feita por integrantes de 15 entidades sindicais lideradas pela APP Sindicato além dos sem-terra, sem-teto, desempregados e outros movimentos populares.
Fernando Henrique Cardoso viaja a Foz do Iguaçu para participar da solenidade de abertura dos Jogos Mundiais da Natureza, marcada para as 11 horas, nas Cataratas do Iguaçu. Lerner é o anfitrião da festa, já que os jogos são promovidos pelo governo paranaense. O ministro extraordinário dos Esportes, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, acompanhará o presidente. A solenidade deverá contar ainda com a presidente do Paraguai, Juan Carlos Wasmosy.
Os manifestantes deverão se concentrar na Rodovia das Cataratas, estrada que liga Foz ao Parque Nacional do Iguaçu e rota obrigatória do presidente entre o aeroporto e as Cataratas. O protesto está sendo organizado pelo Movimento Intersindical - que reúne 21 sindicatos de trabalhadores filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) -, a Central dos Movimentos Populares (CMP) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).


