O presidente Fernando Henrique Cardoso lidera a corrida pela Presidência da República com 41% das intenções de voto contra 43% dos outros candidatos juntos, segundo pesquisa do Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada ontem. A pesquisa ouviu duas mil pessoas em todo o País entre os dias 15 e 22 de outubro, antes, portanto, da crise mundial das bolsas. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 16% dos votos, o senador José Sarney (PMDB-AP), 9%, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), 8%, o ex-presidente Itamar Franco (PMDB), 6%, e o ex-ministro Ciro Gomes (PPS), 4%. 9% votariam nulo ou em branco e 7% estão indecisos.
A pesquisa revela, ainda, que, para a população, Fernando Henrique é o pai do Plano Real. ‘‘Não fizemos ainda um exame de DNA, mas agora sabemos o que o povo pensa’’, brincou o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Fernando Bezerra. Na opinião de 70% dos entrevistados, Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, é o responsável pela estabilidade da moeda. Itamar Franco, que era o presidente da República na instituição do real, em julho de 1994, é considerado o pai do programa de estabilização por 14% dos entrevistados. Outros ministros da Fazenda do governo Itamar também foram reconhecidos como pais do Real. O título cabe a Ciro Gomes (PPS) para 3% dos entrevistados e a Rubens Ricupero, na opinião de 1%. Ricupero era o ministro da Fazenda na época do lançamento da moeda.
As entrevistas foram feitas antes do furacão que varreu as bolsas de valores, que levou o governo a dobrar as taxas de juros. A análise da CNI alerta que a medida, se mantida por muito tempo, agravará o desemprego, tido pelos brasileiros como o ponto fraco do Plano Real. Os juros altos também acabarão com o principal combustível da popularidade de Fernando Henrique Cardoso até agora, que são as compras de eletrodomésticos e outros bens a crediário.
O documento elaborado pelos analistas da CNI mostra que a base de apoio de Fernando Henrique se concentra nos segmentos de mais baixa renda, exatamente aqueles que compraram automóveis e eletrodomésticos a prazo. Com os juros altos, porém, é possível prever uma queda no consumo. ‘‘Menos consumo gera insatisfação e desconfiança em relação ao Plano Real. É tudo o que a oposição quer’’, diz o relatório.
Os analistas da CNI observam, ainda, que a crise das bolsas ‘‘mostrou a vulnerabilidade do cronograma político e econômico estabelecido pelo governo’’, e que a elevação dos juros ‘‘encarece de forma abusiva o crédito, uma das principais conquistas do Plano Real.’ Entre os pesquisados, 66% disseram que o ano de 97 tem sido ‘‘bom’’ ou ‘‘muito bom’’. Na pesquisa anterior, realizada em agosto, esse índice era de 64% e, em maio, de 62%. A administração de Fernando Henrique foi considerada ‘‘ótima’’ ou ‘‘boa’’ por 43% das pessoas, ‘‘regular’’ por 37% e ‘‘ruim’’ ou ‘‘péssima’’ por 17%. Em março deste ano, o número de pessoas que responderam ‘‘ótima’’ ou ‘‘boa’’ para essa mesma questão era de 51% e em maio, de 34%.
Os mais satisfeitos com o governo Fernando Henrique são pessoas com renda até um salário mínimo, onde o índice de aprovação é de 55%, contra 47% entre os de renda de 5 a 10 salários mínimos. As mulheres estão insatisfeitas com o desempenho do governo. O índice de aprovação no público feminino é de 39%, contra 47% no masculino. Os analistas da CNI atribuem esse resultado ao medo do desemprego, considerado o problema mais grave do País por 63% dos entrevistados, enquanto 49% apontaram a questão da saúde, 33% os salários, 31% as drogas e 23%, a educação.

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