Cardoso intervém mas não põe fim à crise dos aliados
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaApaziguadorMotta: ministro das Comunicações foi escalado para acalmar os ânimosBRASíLIA - Preocupado com o estrago que as desavenças entre seus aliados está provocando no andamento da reforma administrativa, o presidente Fernando Henrique Cardoso mobilizou ontem vários auxiliares para tentar encerrar a briga entre os líderes do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), e do PSDB, Aécio Neves (MG). Pouco adiantou. Os desafetos passaram o dia trocando acusações e as declarações acabaram em clima de duelo. Integrantes do governo admitem que as divergências na base de apoio terão de ser resolvidas para que a reforma administrativa continue a ser votada.
Começou cedo a reação do PSDB aos desabafos de Inocêncio Oliveira no dia anterior, quando se referiu ao líder tucano como moleque por duas vezes, numa alusão à quebra do acordo do teto extra para assegurar a votação da reforma administrativa. Enciumada com a manifestação de solidariedade a Inocêncio Oliveira feita por Fernando Henrique, que anteontem enviou à Câmara uma carta destinada ao líder, além de elogios transmitidos pelo ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, a cúpula tucana dirigiu-se pela manhã ao gabinete de Fernando Henrique.
Ao líder Aécio Neves, o líder no Senado, Sérgio Machado (CE), o ex-líder José Aníbal (SP) e o deputado Arnaldo Madeira (SP), que está no exercício da presidência do PSDB, o presidente Fernando Henrique mostrou sua preocupação com a repercussão das crises em sua base parlamentar. Os tucanos mostraram ao presidente uma nota de solidariedade a Aécio preparada pela Executiva do partido. Na nota, o PSDB repudia manifestação de discriminação e diz estar pronto para continuar a votação da reforma administrativa.
O vice-presidente da República, Marco Maciel, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, e outros caciques do PSDB e PFL foram designados para botar panos quentes na briga. Os presidentes dos dois partidos, Arnaldo Madeira e José Jorge (PFL-PE), combinaram divulgar notas individuais reforçando a disposição dos aliados em continuar se empenhando nas reformas acima de qualquer questão.


