Cardoso faz críticas aos burocratas
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quinta-feira, 03 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
ParceriaFHC e Cristóvão Buarque, governador do DF: Não há governabilidade sem entrosamentoO presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ontem a fragilidade dos partidos políticos e a ação dos burocratas brasileiros que decidiram, sem seu conhecimento, reduzir o prazo de financiamento das importações. A medida teve repercussões terríveis no âmbito internacional, afirmou o presidente em conferência sobre governabilidade e democracia, durante a Cúpula Regional para o Desenvolvimento Político, promovida pela Unesco.
Eu digo burocratas porque eu estava no Uruguai e não sabia (da decisão dos técnicos), disse o presidente. E olha que eu era o presidente da República. Fernando Henrique se referiu a técnicos do Itamaraty, da Fazenda, Planejamento e Banco Central que tomaram decisões supostamente internas sem avaliar as consequências para os países vizinhos. Para Fernando Henrique faltou visão política aos burocratas.
Depois Fernando Henrique tentou amenizar a crítica, dizendo que os burocratas podem ter tomado a medida na maior boa-fé, mas o resultado foi problemático. Ele lembrou que a decisão não foi tomada para quebrar a unidade, a solidariedade da América Latina ou do Mercosul. Foi tomada porque, burocraticamente, eles imaginavam que a decisão era interna. Para o presidente, ocorrem fricções desnecessárias porque os burocratas pensam estar isolados e esquecem do mundo globalizado.
Entre os fatores de perturbação da governabilidade, o presidente citou a inflação. Depois falou dos partidos políticos. De acordo com Fernando Henrique, com a fragmentação da sociedade e a fragilidade dos partidos é necessário negociar, explicar para que as pessoas entendam o jogo e possam participar dele. Nesse quadro, afirmou o presidente, os partidos passam a ser um problema para a democracia.
Não podemos pensar em governabilidade sem entrosamento dos partidos, declarou o presidente. Ele também reclamou da falta de um projeto político mundial. Nós temos um projeto nacional no contexto de desafio do século 21, destacou. Para Fernando Henrique, a globalização econômica não é acompanhada pela política. Na sua opinião, não há uma autoridade legítima no plano político como existe no plano econômico, como o FMI e o Banco Mundial.


