Agência Estado
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ParceriaFHC e Cristóvão Buarque, governador do DF: ‘Não há governabilidade sem entrosamento’O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ontem a fragilidade dos partidos políticos e a ação dos ‘‘burocratas brasileiros’’ que decidiram, sem seu conhecimento, reduzir o prazo de financiamento das importações. ‘‘A medida teve repercussões terríveis no âmbito internacional’’, afirmou o presidente em conferência sobre governabilidade e democracia, durante a Cúpula Regional para o Desenvolvimento Político, promovida pela Unesco.
‘‘Eu digo burocratas porque eu estava no Uruguai e não sabia (da decisão dos técnicos), disse o presidente. ‘‘E olha que eu era o presidente da República. Fernando Henrique se referiu a técnicos do Itamaraty, da Fazenda, Planejamento e Banco Central que tomaram decisões supostamente internas sem avaliar as consequências para os países vizinhos. Para Fernando Henrique faltou visão política aos burocratas.
Depois Fernando Henrique tentou amenizar a crítica, dizendo que os burocratas podem ter tomado a medida ‘‘na maior boa-f钒, mas o resultado foi problemático. Ele lembrou que a decisão não foi tomada para quebrar a unidade, a solidariedade da América Latina ou do Mercosul. ‘‘Foi tomada porque, burocraticamente, eles imaginavam que a decisão era interna. Para o presidente, ocorrem ‘‘fricções’’ desnecessárias porque os burocratas pensam estar isolados e esquecem do mundo globalizado.
Entre os fatores de perturbação da governabilidade, o presidente citou a inflação. Depois falou dos partidos políticos. De acordo com Fernando Henrique, com a fragmentação da sociedade e a fragilidade dos partidos ‘‘é necessário negociar, explicar para que as pessoas entendam o jogo e possam participar dele’’. Nesse quadro, afirmou o presidente, ‘‘os partidos passam a ser um problema para a democracia’’.
‘‘Não podemos pensar em governabilidade sem entrosamento dos partidos’’, declarou o presidente. Ele também reclamou da falta de um projeto político mundial. ‘‘Nós temos um projeto nacional no contexto de desafio do século 21’’, destacou. Para Fernando Henrique, a globalização econômica não é acompanhada pela política. Na sua opinião, não há uma autoridade legítima no plano político como existe no plano econômico, como o FMI e o Banco Mundial.

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