O governo decidiu não reclamar da nova lei eleitoral, aprovada anteontem pela Câmara dos Deputados, apesar das derrotas que sofreu, como a diferença de R$ 378 milhões que o Tesouro terá de bancar por causa da aprovação do aumento do Fundo Partidário em 98. Após se encontrar com o presidente Fernando Henrique Cardoso, de manhã, o líder do governo, deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), disse que o presidente estava satisfeito. ‘‘Se quisesse dar uma de moleque, eu diria que a lei ajudou a oposição, mas a lei está boa’’, declarou.
‘‘A avaliação do deputado Luís Eduardo - que coincide com a do presidente - é que o resultado foi razoável, afora a questão do financiamento público’’, disse à noite o porta-voz da Presidência da República, Sérgio Amaral. Segundo ele, para Fernando Henrique a nova verba do Fundo Partidário ‘‘vai beneficiar, de forma desmesurada, os partidos da base parlamentar’’. O presidente criticou o desequilíbrio que a nova lei propõe na distribuição desses recursos entre os partidos.
Na avaliação do governo, a lei aprovada depois de um racha entre os partidos da base governista - PMDB e PPB juntaram-se às oposições para derrotar o PFL e PSDB - tem qualidades e defeitos. O líder do governo criticou a decisão da Câmara de excluir os votos em branco do cálculo do coeficiente eleitoral, o que facilitará a eleição de deputados por pequenos partidos.
Outra derrota imposta ao PFL e PSDB pelo acordo do PMDB e PPB com as oposições foi a divisão entre os partidos do tempo de propaganda eleitoral gratuita na televisão. Luís Eduardo não classificou como prejudicial ao governo a proibição da participação do presidente Fernando Henrique em inaugurações de obras públicas durante a campanha. ‘‘Todo mundo saberá quem fez as obras’’, rebateu.

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