O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem no Rio que o acordo da dívida favoreceu os Estados e que não deve reabrir as negociações, como pleiteiam alguns governadores. ‘‘Como o governo não fabrica dinheiro, dinheiro é imposto do povo, não posso dar mais dinheiro do povo àqueles a quem já dei muito. Os Estados que têm problema devem se ajustar.’’
O presidente admitiu a existência de uma crise, mas disse que o país está habituado a enfrentar dificuldades e pediu serenidade. Sem citar Itamar Franco, FHC voltou a criticar o governador de Minas, que anunciou moratória na semana passada e disse que não ficaria como ‘‘peru em círculo de giz’’ - em referência à crença popular de que, embriagado, o animal não deixa a área delimitada.
‘‘Às vezes, palavras ditas sem que tenham a intenção de prejudicar o País acabam prejudicando. Mas isso a gente supera. Não vou ficar aqui como peru em círculo de giz, sempre preso por um momento impensado de outro que não ele’’, disse.
O presidente também negou a intenção de realizar uma maxidesvalorização do real, em resposta à crise financeira internacional. ‘‘O mercado pode ficar bastante calmo porque o governo sabe o que vai fazer. Sabe o que está fazendo’’, afirmou.
FHC esteve no Rio para a inauguração do novo parque gráfico do jornal ‘‘O Globo’’.
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