Agência Estado

Arquivo FolhaMarina Silva: mediadora do encontro e do apoio de Fernando Henrique O PT que seduziu o presidente Fernando Henrique Cardoso a ponto de ganhar o apoio oficial do PSDB e uma recepção particular no Palácio da Alvorada, no domingo à tarde, mora no Acre e trabalha duro para derrotar o PFL, acusado de comprar votos em favor da emenda da reeleição. Com a perspectiva real de tomar o poder no Estado, o PT acreano tem a bênção da direção nacional do partido, que aposta no ex-prefeito de Rio Branco Jorge Viana para derrotar o governador Orleir Cameli na disputa de outubro pelo governo estadual.
A disputa pelo governo do Acre tem mais ingredientes policiais do que políticos, o que levou o PSDB a ficar, ali, no palanque que considera mais ético. A pressão do governo sobre os petistas é tão grande que eles têm dificuldade para alugar aviões, conta o ex-prefeito Viana. ‘‘Há uma semana, para ir a uma reunião com seringalistas em Cruzeiro do Sul, ficamos sem avião no meio do caminho, por pressão do governador’’, narra. ‘‘Acabamos conseguindo um, emprestado pelo ex-deputado Narciso Mendes, que não é nosso aliado, mas é inimigo de morte do Orleir.
A visita dominical dos petistas ao Alvorada foi programada na quinta-feira, quando a senadora Marina Silva (PT-AC) foi recebida em audiência por Fernando Henrique no Planalto. Além de Fernando Henrique, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, é outro interlocutor de Marina, e fez questão de conversar com a senadora em sua passagem pelo Brasil. ‘‘Não vou ao Palácio de pires nas mãos: levo propostas’’, diz Marina. A primeira foi lançar um selo para lembrar os dez anos do assassinato do líder Chico Mendes. A segunda era puramente política: ‘‘Que tal conhecer nosso candidato ao governo, que tem o apoio do seu PSDB no Estado? O presidente gostou da idéia e emendou logo o convite para domingo, no Alvorada.
Interesse compreensível, na visão do secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM), que aprovou a coligação dos tucanos com o PT acreano. Viana deixou a prefeitura de Rio Branco há dois anos, com o título de um dos três melhores prefeitos das 27 capitais brasileiras. Além da competência administrativa, o PT tem a tranquilidade de quem tem quadros para vencer a eleição e governar. ‘‘Nosso temor é o de que o Acre vire uma Alagoas, uma terra sem leis’’, disse Viana ao presidente, ao lembrar que a Polícia Federal investiga um esquadrão da morte no Estado que já perdeu um governador - Edmundo Pinto - assassinado em 1992.
‘‘O PT tinha um bom palanque; não precisam de nós para disputar a eleição’’, disse o dirigente do PSDB acreano, Hamilton Rocha. A coligação já une PPS, PV, PSB, PC do B, e também deverá trazer o PDT. Mas, como lembrou o secretário-geral do PSDB, a receptividade presidencial tem razões práticas que vão além dos 20 pontos de vantagem que Jorge Viana exibe sobre o atual governador nas pesquisas de intenção de voto no Acre.
‘‘Vai ser muito bom o presidente descolar do PFL do governador Cameli e dizer que seu partido está ligado a Jorge Viana’’, avaliou Virgílio. Pesam sobre Cameli acusações de usar mais de um CPF, a apreensão de um Boeing 727 de sua propriedade por contrabando, em São Paulo, suspeitas de envolvimento do piloto do avião com o narcotráfico, e denúncias de dirigir licitações do governo estadual em benefício de uma empreiteira de sua família. Um currículo que recomenda distância, especialmente depois que tudo isto foi discutido em Brasília no ano passado, por causa da acusação de compra de votos para aprovar a emenda da reeleição de Fernando Henrique.

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