Agência Estado
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O motivoFernando Henrique Cardoso: pacote fiscal foi necessário para manter as condições de governabilidadeO presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o governo não ficará ‘‘de braços cruzados’’ esperando que a recessão econômica se instale no país. ‘‘Não se deve fazer apostas na diminuição do ritmo de crescimento’’, afirmou FHC. FHC disse que o governo está buscando ‘‘novas formas de reativação de atividades que sejam passíveis de crescimento sem aumentar o conteúdo das importações’’.
Citou como exemplos dessas áreas a agricultura, a indústria da construção civil, o setor de exportações e as micro e pequenas empresas. ‘‘Tem gente que não tem imaginação e julga que todos são iguais: que não se tem imaginação e se vai ficar parado olhando o empobrecimento da nossa economia. Supõem que nós estejamos aqui, de braços cruzados, vendo acontecer coisas sem atuar. Não senhor. Nós vamos tomar as medidas necessárias com firmeza, com dureza - se for o caso’’, afirmou.
O presidente disse que tomou as medidas fiscais para manter ‘‘a condição de governabilidade, de estabilização da moeda e de impedir o retorno da inflação’’. Segundo ele, ‘‘a inflação tira do pobre para dar para o rico e faz com que aqueles, como o comércio - que vive das maiorias, não das minorias -, padeçam, paguem um preço alto’’.
FHC rebateu as críticas de que o pacote fiscal atingiu principalmente a classe média. ‘‘Não houve de forma nenhuma, por parte do governo, a despreocupação com a classe média. Até porque eu sou de classe média’’, afirmou o presidente.
A platéia de ontem foi um grupo de 25 diretores da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, que reúne 4,5 milhões de empresas e gera 15 milhões de empregos. Para os lojistas, o presidente disse que vai tomar as outras medidas necessárias para que todos tenham ‘‘um Natal melhor’’. ‘‘Esses são os meus votos.’
Ao tratar de um assunto que interessa tanto aos lojistas quanto à classe média - o das mudanças no uso dos cartões de crédito -, FHC disse que o governo ‘‘tem que por cobro (fim) a toda forma de exploração e de especulação financeira’’.
Para isso, o presidente pediu que a Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, analise o pedido dos lojistas quanto à cobrança da taxa de administração por parte das empresas de cartões. Segundo o presidente da confederação dos lojistas, Carlos José Stupp, as administradoras cobram até 7% das lojas por cada operação com cartões. ‘‘No mercado internacional essas taxas não passam de 1,5%. Queremos saber por que dessa diferença’’, afirmou Stupp.
Os lojistas, que comemoraram outra decisão do governo na área - a de permitir a cobrança de preços diferenciados em compras à vista e por cartão -, aproveitaram a audiência para cobrar medidas mais ágeis e rápidas do governo para evitar a quebra do comércio por causa dos juros altos. ‘‘As vendas de Natal representam 35% do ano todo. O varejo quer uma solução para seus problemas’’, pediu Stupp.

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