BRASíLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso terá uma conversa com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), no início da próxima semana. O encontro interessa especialmente ao PMDB, que cobra do governo a nomeação dos novos ministros da Justiça e dos Transportes. Já Fernando Henrique quer falar da participação do partido na derrota imposta ao governo durante a votação da reforma administrativa, na quarta-feira.
Fernando Henrique e Temer encontraram-se rapidamente ontem, em solenidade no Itamaraty. Acertaram um encontro, assim que Temer voltar de São Paulo, onde passa o fim de semana. O PMDB espera desta conversa um solução para o preenchimento dos ministérios de sua cota. A amigos, Temer disse que pretende mostrar ao presidente que a bancada peemedebista da Câmara não pode ficar atrelada à indefinição do PMDB do Senado.
O motivo: há um mês, durante viagem a Natal, Fernando Henrique acertou com Michel Temer e com o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima, os nomes dos deputados Aloysio Nunes Ferreira (PMDB-SP) e Eliseu Padilha (PMDB-RS) para ocupar os ministérios da Justiça e Transportes, respectivamente.
Estava tudo certo para os peemedebistas da Câmara, mas a bancada do Senado, que também reivindica um ministério, barrou o acordo. Para atender os senadores, o governo decidiu então transformar a Secretaria de Políticas Regionais em ministério, a ser ocupado por um senador à escolha da bancada.
Antes de viajar ao Canadá, Fernando Henrique disse a Temer: ‘‘Me traga os três nomes do PMDB que eu os nomeio em menos de 24 horas’’. Mas o assunto no Senado continua gerando polêmica. O líder do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), tem mostrado a alguns amigos interesse em ocupar o futuro Ministério do Desenvolvimento Regional.
Seu projeto, no entanto, está cada vez mais difícil de se concretizar: auxiliares do governo afirmam que o nome de Jáder está vetado no Palácio do Planalto pelo desgaste que poderia trazer ao governo, caso as numerosas denúncias contra o senador e ex-governador venham novamente a público. Além desse problema, os três senadores da Paraíba não aceitam entregar o cargo, que hoje é da cota deles, a outro Estado.
Na quarta-feira Jáder Barbalho foi exposto a mais um constrangimento. Na reunião da bancada um dos senadores sugeriu a ele que levasse ao presidente os nomes de todos os 24 senadores do PMDB. O preferido do Palácio do Planalto é o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

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